De ser magro, minha gente,
não tenho — confesso — mágoa,
o rio, em sua nascente,
é também filete d’água.
(Carlos Ribeiro Rocha)
De ser magro, minha gente,
não tenho — confesso — mágoa,
o rio, em sua nascente,
é também filete d’água.
(Carlos Ribeiro Rocha)
Dona do Lar, 1944
Colette Pujol (Brasil, 1913 -1999)
óleo s tela, 46 x 38 cm
Abel Silva
E então começou a acontecer comigo
de encontrar a todo instante minha mãe.
Passo na fila da carne
lá está ela esperando a vez
chego comovido e irritado
vou tocar-lhe o ombro e dizer
bobagem, mãe!
pede a carne pelo telefone
mas logo percebo o engano me afasto
e a senhora desconhecida
ganha mais um metro na direção do balcão.
No táxi
vou gritar ao motorista que pare
minha mãe está na esquina sob o sol
não há dúvidas é ela
se protegendo da chuva sob a marquise
perplexa no arrastão ondeante de corpos esguios
perigosamente lenta na correnteza de meninos sem mãe
subitamente estrangeira
(minha mãe tão brasileira!)
sob códigos confusos
minha mãe nas mulheres entrevistadas pela TV
reclamando dos preços absurdos de tudo
nos bancos da rodoviária
na fila dos aposentados
minha mãe se multiplicando pelas ruas de minha cidade
onde carrego meu buquê de esperanças devastadas e sonhos implodidos
um mil séculos-luz longe do ninho
do ponto obscuro
uterino
de que hoje sou futuro.
Em: Mundo delirante: poesias, Abel Silva, Rio de Janeiro, Europa: 1990, p. 88
Eu e a vida estamos quites
pois, se de modo severo,
a vida me impõe limites,
eu, quase sempre os supero…
(Luna Fernandes)
Se tu jamais foste minha,
se nunca fui teu também,
posso ir só, que irás sozinha…
Ninguém perde o que não tem!
(Antonio Carlos Teixeira Pinto)
Cigarras e passarinhos,
no presépio das florestas,
entoam dentro dos ninhos:
“Feliz Natal! Boas Festas!”
(José Corrêa Villela)
Pequenez é coisa feia?
Grandeza é documentário?
— Pequeno é o grão de areia,
mas enguiça um maquinário.
(Carlos Ribeiro Rocha)
Todo dia, o dia inteiro,
É dia dos namorados.
Se o amor é verdadeiro,
Serão dois abençoados.
(Maria Eunice Silva de Lacerda)
Joga o teu pião, menino,
aproveita a brincadeira,
que a fieira do destino
vai jogar-te a vida inteira…
(Edgard Barcellos Cerqueira)
Tem calma, velhice, aguarda!
Não venhas me ver ainda!…
Que não receies ser tarda,
porque nem tarda és bem-vinda…
(Luna Fernandes)
Saudade, lembrança triste
de tudo que já não sou…
Passado que tanto insiste
em fingir que não passou…
(Edgard Barcellos Cerqueira)







