Trova das mãos

10 05 2017

 

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Mãos falam! … Todos entendem

o seu idioma calado

e até as feras compreendem

a doce fala do agrado.

 

(Heribaldo Gerbasi)

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Trova da chegada do luar

3 05 2017

 

 

noite, Clarence Coles Phillips

Noite, ilustração de Clarence Coles Phillips.

 

 

Ao sentir que a noite nasce,

fecho as cortinas, ligeiro,

pra que o luar não te abrace

sem que eu te abrace primeiro!

 

(Sérgio Bernardo)





Trova do assalto

26 04 2017

 

cops-and-robbers

 

 

 

“A bolsa ou a vida” – eu ouço

e retruco as ironias:

— Que leve as duas, seu moço,

pois ambas estão vazias.

(Roberto Medeiros)

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Os colonos, poesia de Paulo Setúbal

25 04 2017

 

 

GEORGINA DE ALBUQUERQUE (1885 - 1962) - Colheita, o.s.e., 29,5 X 38,5 cm,Colheita

Georgina de Albuquerque (Brasil, 1885 – 1962)

óleo sobre tela, 29 x 38 cm

 

 

Os Colonos

 

Paulo Setúbal

 

Lá vem o dia apontando…

Que afã! Já todos de pé!

Ruidosos, tagarelando,

 

Vão os colonos em bando

Para os talhões de café.

 

À luz do sol que amanhece,

Por montes, por barrocais,

Por toda parte esplandece,

Com sua esplêndida messe,

O verde dos cafezais.

 

Começa o rude trabalho.

Que faina honrada e feliz!

Inda molhados de orvalho,

Flamejam, em cada galho,

Os bagos como rubis.

 

Trabalham.  que ardor de mouro!

Todos derriçam café.

Parece um rubro tesouro,

Que cai numa chuva de ouro,

Dos ramos de cada pé.

 

Ao meio-dia, aos ardores

Do alto sol canicular,

Os rudes trabalhadores,

Ao longo dos carreadores,

Põem-se todos a cantar.

 

Pela dormência dos ares,

Sob estes céus cor de anil,

Cantam canções populares,

Que lá, dos seus velhos lares,

Trouxeram para o Brasil.

 

Aqui, um forte italiano,

Queimado ao sol do equador,

Solta aos ventos, belo e ufano,

Num timbre napolitano,

A sua voz de tenor!

 

Há uma terna singeleza

Nas trovas que um outro diz;

Um rapagão de Veneza

Tem, no seu canto, a tristeza

Das águas do seu país.

 

E uma sanguínea espanhola,

De grandes olhos fatais,

Em baixa voz cantarola

Uns quebros de barcarola,

Magoados, sentimentais…

 

Que cantem! … Essa cantiga

Brotada do coração,

Seja a prece que bendiga

A terra que hoje os abriga,

A pátria que lhes dá pão.

 

Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1967, Coleção Henriqueta, pp. 56-57.

 

 

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Violeta, poesia de Raquel Naveira

18 04 2017

 

 

 

manet bouquet-of-violets-1872Ramo de violetas, 1872

Edouard Manet (França, 1832 – 1883)

óleo sobre tela, 22 x 27 cm

Coleção Particular

Violeta

 

Raquel Naveira

 

 

Estou em perigo:

Uma angústia,

Um desejo de morrer,

Minhas pétalas murcham

Num roxo mortiço,

Perco o viço,

De amor tão intenso

Desfaleço.

 

Estou em perigo:

Uma felicidade,

Um deleite,

Minhas raízes sugam húmus,

Encharcam-se,

Amoleço.

 

Estou em perigo,

Nada no mundo me vale nesse transe;

Num jardim cheio de sombras

Permaneço.

 

Quando Ele me toma

Entre seus dedos de sol

E me sopra ânimo e coragem,

Fortaleço.

 

Sem encontrar apoio na terra,

Sem poder subir ao céu,

Vivo frágil,

Presa num caule suspenso.

 

 

Em: Casa e Castelo, Raquel Naveira, São Paulo, Escrituras: 2002, p.61

 

 

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Palavras para lembrar — Charles Simic

17 04 2017

 

 

 

Abraham Solomon - Retrato de duas meninas e sua babá,Abraham Solomon (1823–1862)Retrato de duas meninas e sua governanta

Abraham Solomon (GB, 1823-1862)

óleo sobre tela

 

 

“O poema é um segredo dividido por pessoas que não se encontraram.”

 

Charles Simic

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Trova da quermesse

13 04 2017

 

 

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Nos leilões e nas quermesses

das festas de nossa aldeia,

apesar de minhas preces,

foste prenda em mão alheia!

 

 

(Roberto Medeiros)





O nome da gente, poesia Pedro Bandeira

12 04 2017

 

árvore de familia treecarpiÁrvore da família Donald. ©Estúdios Disney.

 

 

O nome da gente

 

Pedro Bandeira

 

Por que é que eu me chamo isso

E não me chamo aquilo?

Por que é que o jacaré

Não se chama crocodilo?

 

Eu não gosto

do meu nome,

não fui eu

quem escolheu.

Eu não sei porque se metem

com um nome que é só meu!

 

O nenê

que vai nascer

vai chamar

como o padrinho,

vai chamar

como o vovô,

mas ninguém vai perguntar

o que pensa

o coitadinho.

 

Foi meu pai quem decidiu

que o meu nome fosse aquele.

Isso só seria justo

se eu escolhesse

o nome dele.

 

Quando eu tiver um filho,

não vou pôr nome nenhum.

Quando ele for bem grande,

ele que escolha um!

 

 

Em: Cavalgando o arco-íris, Pedro Bandeira,  São Paulo, Moderna: 1984, páginas 12-13.

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Trova da ida à igreja

9 04 2017

 

Andrew Loomis, Church, Vintage, Illustrations,Igreja, ilustração de Andrew Loomis.

 

 

Ela possui tal encanto,

que quando na igreja entrou,

em vez de beijar o santo,

foi o santo que a beijou.

 

 

(José Nogueira da Costa)

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Um dia de chuva, poema de Alberto Caeiro

30 03 2017

 

 

Carmelo gentil Filho,(Brasil, 1955) São Paulo Antiga, ost, 60 x 80 cmSão Paulo antiga

Carmelo Gentil Filho (Brasil, 1955)

óleo sobre tela, 60 x 80 cm

 

 

Um dia de chuva

 

Alberto Caeiro

 

Um dia de chuva

é tão belo

como um dia de sol.

Ambos existem;

cada um como é.

 

 

Em: Poemas completos de Alberto Caeiro, Mensagem, Fernando Pessoa, Lima, Peru, Los Libros Mas Pequeños del Mundo: 2011, página, 296