Palavras para lembrar — Gilbert K. Chesterton

20 06 2012

O livro de recordações, 1899

Frank Dadd (Inglaterra, 1851- 1929)

óleo sobre tela

“Um cômodo sem livros é como um corpo sem alma”.

Gilbert K. Chesterton





Imagem de leitura — Ipolit Strambu

19 06 2012

Moça sentada, 1930

Ipolit Strambu (Romênia, 1871-1934)

óleo sobre tela

Ipolit Strambu nasceu em Baia de Aramă, no condado de Mehedinţi, na Rumênia, em 1871.  Teve sua educação artística na Escola de Belas Arte de Bucareste onde estudou com G. D. Mirea entre 1891-1895. Ganhou uma bolsa de estudos que o levou a estudar pintura em Munique na Alemanha, na Academia de Real de Belas Artes na Bavaria  entre 1896- 1901.  Na primavera de 1901 retornou ao seu país natal, estabelecendo-se em Bucareste, onde permaneceu, trabalhando até seu falecimento em 1934.

Salvar





Palavras para lembrar — Abraham Lincoln

18 06 2012

Graça lendo na baía de Howth, c. 1900

Sir William Orpen (Irlanda, 1878-1931)

óleo sobre tela

“Os livros servem para mostrar a um homem que os pensamentos originais que teve não são, afinal de contas, tão novos”.

Abraham Lincoln





Imagem de leitura — Sam Adoquei

16 06 2012

Estudos Sociais, s/d

Sam Adoquei (Gana, 1962)

óleo sobre tela, 110 x 140 cm

www.samadoquei.com

Sam Adoquei nasceu em Gana onde estudou na Faculdade de Belas Artes Ghanatta. Depois de formado viajou muito pela África e Europa antes de se estabelecer permanentemente nos Estados Unidos.  Lá ele se tornou o primeiro artista africano a ensinar nas grandes escolas de arte em Nova York: National Academy School of Fine Art, New York Academy of Figurative Arts, Art Students League of New York and Educational Alliance.  Reside na cidade de Nova York.





Palavras para lembrar – Confucius

14 06 2012

O jovem Cícero lendo, 1464

Vincenzo Foppa ( Veneza, c. 1430 – c. 1515)

Afresco (102 x 144 cm) [Fragmento]

[proveniente do Palácio Médici em Milão, removido em 1863]

Wallace Collection, Londres

“Não importa o quanto você se acredita ocupado, deve encontrar tempo para ler ou se render à auto-imposta ignorância”.

Confucius





Casamentos na pintura: homenagem a Sto Antônio, o santo casamenteiro

13 06 2012

Casamento, 1968

Marysia Portinari (Brasil, 1937)

óleo sobre madeira, 50 x 40 cm

Relativamente falando há poucos casamentos registrados na pintura.  Minha coleção de imagens de telas de casamentos, contém um pouco mais do que 400 telas.  Não  que eu conheça tudo que foi pintado no assunto.  Não sou nenhuma especialista em iconografia do casamento.  Mas a história da arte não entrou na minha vida ontem.  Já vi muita coisa.

O casamento, 1997

Bo Bartlett (EUA, 1955)

óleo sobre tela, 210 x 275 cm

E-

Há alguns casamentos específicos como aqueles que uniam famílias nobres, reis, telas comissionadas a  artistas para captar o momento solene da união de famílias cuja aliança se fazia necessária para manutenção de fronteiras, além de outros interesses econômicos.

O casamento de Alfonso XIII e Victoria Eugênia, na Igreja de São Jerônimo, em Madri, 1906

Juan Comba y Garcia (Espanha, 1852-1924)

óleo sobre tela

Sala Afonso XII, Palácio Real, Madri

Curiosamente, talvez o mais famoso casamento na pintura, A boda dos Arnolfini, 1434 de Jan Van Eyck, [ilustrado abaixo] não retrata um casamento como a tradição do título sugere.  Trata-se de fato do retrato do rico comerciante Giovanni do Nicolao Arnolfini e sua esposa, em casa, na cidade de Bruges, hoje na Bélgica.  [E antes de passar para o próximo casamento, deixe-me clarificar, que não, a Sra. Arnolfini não está grávida.  A exuberante e luxuosa roupa da época é típicamente longa e ela simplesmente segura a saia rodada para poder se movimentar. Vale notar também que a região era conhecida por seus tecidos luxuosos e que a abundância textil no retrato só enriquece a posição social do casal].

A boda dos Arnolfini, 1434

Jan Van Eyck (Bélgica, 1345-1441)

óleo sobre madeira [carvalho], 82 x 60 cm

National Gallery, Londres

Enquanto o mundo dos banqueiros, de outros comerciantes bem sucedidos no século XVII na Holanda quase não é representado em casamentos, é desse período A noiva judia de Rembrandt.

A noiva judia, 1665-1669

Rembrandt van Rijn (Holanda, 1606-1669)

óleo sobre tela, 121 x 166 cm

Museu Rijks, Amsterdam

O casamento mais representado, acredito eu, nas artes antes do aparecimento da classe mercantilista na Europa do Norte, nos séculos XV e XVI, talvez seja sem dúvida As Bodas de Canaã.  Uma das representações mais antigas, na pintura, desse milagre é a de Giotto, reproduzida abaixo.

As bodas de Canaã, 1304-1306

Giotto di Bondone ( c. 1267 – 1337)

afresco

Capela Arena, Pádua

Depois de As Bodas de Canaã, talvez a mais popular representação de casamentos seja O casamento da Virgem.  Sua mais famosa representação — a de Rafael di Sanzio, na Pinacoteca de Brera em Milão — foi certamente inspirada pela tela, menos fluida, menos sofisticada, talvez, do mesmo tema de Pietro Perugino que reproduzo abaixo, pintada aproximadamente um anos antes da de Rafael de Sanzio, O casamento da Virgem 1504, óleo sobre madeira, 170 x 118cm, Pinacoteca de Brera, Milão.

O casamento da Virgem, 1503

Pietro Perugino (Umbria, Itáia, 1448-1523)

óleo sobre madeira, 234 x 185cm

Museu de Belas Artes de Caen, França.

[Click aqui para ver a versão de Rafael]

O Casamento da Virgem, tema representado muitas vezes no século XVI, certamente serviu de base para a representação do casamento de Maria de Médici com Henrique IV.

Casamento por procuração de Maria de Médici com Henrique IV, representado por Ferdinando I, Grão-duque da Toscana, 1600

Jacopo di Chimenti da Empoli (Florença, 1551-1640)

óleo sobre tela, 242 x 242cm

Galeria dos Uffizi, Florença

[há outras versões desse quadro]

É só mesmo depois da revolução industrial, em pleno século XIX, quando a classe mercantil se estabelece mais solidamente nas sociedades européias e industriais, que temos um muito maior número de casamentos em telas.  Mas o interessante é que não são retratos das famílias mais abastadas que vemos na pintura, ao contrário, são os casamentos anônimos.  É o ato do casamento que se eterniza.

Até que a morte separe, 1878

Edmund Blair Leighton (Inglaterra, 1853-1922)

Óleo sobre tela,

Coleção da Revista Forbes

E as preocupações de época começam a aparecer, assim como na literatura do final do século XIX vemos em autores como Victor Hugo e Charles Dickens o retrato das diversas classes sociais, dos costumes da cidade em contraste com os costumes do campo, o tema também é abordado na pintura de gênero.

Um casamento no campo, 1904-1905

Henri Rousseau, Le Douanier

Óleo sobre tela, 163 x 114 cm

Museu  de l’Orangerie, Paris.

O cortejo nupcial, 1878

Theodore Robinson (EUA, 1852 – 1896)

Óleo sobre tela, 57 x 67cm

Terra Foundation for American Art, Daniel J. Terra Collection

É essa vertente, a vertente que mostra o casamento no campo, no interior, na cidadezinha pequena que eventualmente se torna popular no Brasil, sobretudo por causa das festas juninas.  Há aqui no nosso imaginário uma justaposição do casamento de interior ( que pode acontecer a qualquer momento) e do casamento junino.  O exemplo na abertura desse texto, com a tela de Marysia Portinari pode ser  colocado em qualquer data, mas  outras representações do casamento na pintura brasileira invariavelmente associam a representação às festas juninas. Um exemplo abaixo:

Casamento na roça, s/d

Cândido Portinari (Brasil, 1903-1962)

óleo sobre tela, 98 x 79 cm

Os noivos, s/d

Fé Córdula [Francisco de Assis Córdula] (Brasil, 1933)

óleo sobre tela, 30 x 40 cm

Mas a representação das bodas nupciais no século dezenove não se limita às diferenças entre o campo e a cidade, também muito bem representado na literatura, por exemplo por Eça de Queirós.  Os pintores parecem sensíveis também aos sentimentos das noivas que no até as primeiras décadas do século XX  muitas vezes não se casavam com quem queriam mas com quem era conveniente.  Tal é o caso em:

Um casamento desigual, 1862

Vasiliy Pukirev (Rússia, 1832–1890)

Óleo sobre tela

Galeria Tretya kov, Moscou

Além desses temas há também a curiosidade pelo pitoresco, pelo outro, pela diferença, pela maneira como os outros se comportam, que permeou tanto da cultura européia do século XIX.  Esse interesse pelo OUTRO levou a temas pertinentes à representação de cenas do Oriente Médio, do Extremo Oriente, entre outros. É assim que temos representações de casamentos árabes, turcos, judeus, russos, aqueles em que a vestimenta, os hábitos, as cerimônias não se assemelhassem às conhecidas festas da Europa Ocidental.

Um casamento judeu no Marrocos, 1841

Eugênio Delacroix(França, 1798-1863)

óleo sobre tela, 105 × 140 cm

Museu do Louvre, Paris

O casamento judeu, 1903

Josef Israels (Holanda, 1824-1911)

óleo sobre tela, 137 x 148cm

Museu Rijks, Amsterdam

E ainda mais uma tendência no século XIX, pertinente também à literatura —  podemos citar Alexandre Herculano, Sir Walter Scott, Charles Reade, Mark Twain entre outros  — é a volta ao passado, à época medieval, aos costumes da renascentistas.  Temas tais como os casamentos na Idade Média, na Renascença, tornaram-se  mais frequentes, dentro desse nicho.

Depois da cerimônia,1882

Adrien Moreau (França, 1843-1906)

óleo sobre tela,  61 x 81cm

Christie’s Leilão de 2007, Nova York

O chamado da guerra, 1888

Edmund Blair Leighton (Inglaterra, 1853-1922)

óleo sobre tela, 91 x 61 cm

Coleção Particular

No século XX, entre muitos outros, Mark Chagall, dedicou-se a muitas representações de casamentos, muitos deles com noivos flutuando no céu.

O casamento, 1910

Marc Chagall (Rússia/França, 1887-1985)

óleo sobre tela

E as representações de Chagall  podem ter influenciado Cícero Dias, como vemos na tela abaixo.

Recife lírica, década de 1930

Cícero Dias ( Brasil, 1907-2003)

óleo sobre tela, 140 x 260 cm

Coleção Sylvia Dias, Paris

O século XX tem um outro comportamento na representação de casamentos.  Levarei esse tema adiante amanhã e ainda talvez nos dias que se seguem. A observação por tema da história cultural e da história da arte pode trazer esclarecimentos importantes para o entendimento dos valores de época.  Até a próxima!





Palavras para lembrar — Ray Bradbury

11 06 2012

Auto-retrato lendo, s/d

Michelle Ranta (EUA, contemporânea)

óleo sobre madeira, 75 x 90 cm

www.michelleranta.com

Ler é central nas nossas vidas. A biblioteca é o nosso cérebro. Sem uma biblioteca, não há civilização”.

Ray Bradbury





Imagem de leitura — Judy Cassab

11 06 2012

Garota lendo, 1952

Judy Cassab (Austria, 1920)

óleo sobre tela

Judy Cassab nasceu em Viena, na Áustria em 1920. Estudou na Academia de Arte de Praga, República Checa, casando-se em 1939 com Jansci Kampfner, que foi retirado para um campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial.  Quando a guerra terminou e ele retornou, o casal teve dois filhos ainda na década de 1940.  Sem conseguirem esquecer as provações por que passaram durante a guerra, casal e filhos emigra para a Austrália.  Não foi uma adaptação fácil para a pintora.  Mesmo em época tão recente não consideravam séria a pintura de uma mulher. E ainda num país estrangeiro, com uma cultura diferente, paisagem diferente.  Mas continuou lutando e veio finalmente a se estabelecer no final da década de 1960.





Palavras para lembrar — Jean Rhys

9 06 2012

Homem lendo o jornal, 2006

Lisbeth Firmin (EUA, 1949)

óleo sobre madeira, 50 x 50 cm

“Ler faz imigrantes de todos nós: nos leva para fora de casa, mas mais importante ainda, acha-nos  um lar em todo canto”.

Jean Rhys





Imagem de leitura — Aurélio d’Alincourt

6 06 2012

Figura, s/d

Aurélio d’Alincourt (Brasil, 1919-1990)

óleo sobre tela, 56 x 46cm

Aurélio d’Alincourt Fonseca nasceu no Rio de Janeiro em 1919. Pintor. Participou por diversas vezes do Salão Nacional de Belas Artes, e recebeu o prêmio de viagem ao estrangeiro em 1951 com o quadro Crítica Sentimental.  Mais tarde recebeu diversas melhadas de ouro  nas décadas de 50 e 60, no mesmo Salão Nacional de Belas Artes.  Retratista. Como ilustrador contribuiu para a revista Opinião, durante a Segunda Guerra Mundial, com cenas de guerra e a bravura dos nossos soldados e mais tarde na década de 50 ilustrou contos para a revista O Cruzeiro.  Foi aluno de Osvaldo Teixeira e Carlos Chambeland. Faleceu no Rio de Janeiro, sua cidade natal, em 1990.