À janela
Fritz von Uhde (Alemanha, 1848–1911)
óleo sobre tela, 81 x 66 cm
Museu Städel, Frankfurt
À janela
Fritz von Uhde (Alemanha, 1848–1911)
óleo sobre tela, 81 x 66 cm
Museu Städel, Frankfurt
Uma Cinderela moderna, 1875
Louise Jopling (Inglaterra, 1843–1933)
óleo sobre tela, 36 x 28 cm
Coleção Tate-Britain
Tocadora de bandolim com vestido rosa
Albert Bréauté (França, 1853-1939)
óleo sobre tela, 46 x 38 cm
À beira-mar, em Honfleur, 1881
Eva Gonzales (França, 1841-1883)
pastel sobre tela, 46 x 37 cm
A sesta, 1907
Rupert Bunny (Austrália, 1867-1947)
óleo sobre placa, 51 x 73 cm
Manhã em Cape Cod, 1950
Edward Hopper (EUA,1882-1967)
óleo sobre tela, 87 x 102 cm
Smithsonian American Art Museum

Tarde de verão, 1886
Frederick Childe Hassam (EUA, 1859-1936)
óleo sobre tela, 31 x 52 cm
Florence Griswold Museum, EUA
Arranjo de flores, 1985
Gregory Frank Harris (EUA, 1953)
óleo sobre tela, 51 x 41 cm
O que será do amanhã nº 3, 2023
Emmanuel Aziseh (Camarões-França, 1992)
acrílica sobre tela, 100 x 100 cm
Dona do Lar, 1944
Colette Pujol (Brasil, 1913 -1999)
óleo s tela, 46 x 38 cm
Abel Silva
E então começou a acontecer comigo
de encontrar a todo instante minha mãe.
Passo na fila da carne
lá está ela esperando a vez
chego comovido e irritado
vou tocar-lhe o ombro e dizer
bobagem, mãe!
pede a carne pelo telefone
mas logo percebo o engano me afasto
e a senhora desconhecida
ganha mais um metro na direção do balcão.
No táxi
vou gritar ao motorista que pare
minha mãe está na esquina sob o sol
não há dúvidas é ela
se protegendo da chuva sob a marquise
perplexa no arrastão ondeante de corpos esguios
perigosamente lenta na correnteza de meninos sem mãe
subitamente estrangeira
(minha mãe tão brasileira!)
sob códigos confusos
minha mãe nas mulheres entrevistadas pela TV
reclamando dos preços absurdos de tudo
nos bancos da rodoviária
na fila dos aposentados
minha mãe se multiplicando pelas ruas de minha cidade
onde carrego meu buquê de esperanças devastadas e sonhos implodidos
um mil séculos-luz longe do ninho
do ponto obscuro
uterino
de que hoje sou futuro.
Em: Mundo delirante: poesias, Abel Silva, Rio de Janeiro, Europa: 1990, p. 88








