Verdes vozes, poesia de Maria Dinorah

20 01 2026

A floresta, 1978

Rosina Becker Do Valle (Brasil, 1914-2000)

óleo sobre tela, 65 x 46 cm

 

 

Verdes e Vozes

 

Maria Dinorah  

 

 

Escutem as vozes

Escutem os rios no meio dos ramos

os risos chegando sabiás, tico-ticos

das águas correndo pardais, gaturamos…

das pedras

cantando

 

Escutem os grilos

Escutem! Escutem! crilando serestas

Com presa e vagar! nos vãos das janelas

Há monstros

 

humanos das horas em festa!

Fazendo-os calar! E se eles calarem num frio de repente,

quem vai pintar sonhos nos sonhos da gente?

 

 

Em: Ver de  ver, Maria Dinorah, 1992. Editora FTD





Flor, poema de Maria Dinorah

24 05 2024
Ilustração de Nellie Benson, 1910
 
 
Flor

 

Maria Dinorah

 

Menina das brancas asas,

dó, ré, mi, fá, sol, lá, si,

quando passas pelas casas,

canta a rua e o céu sorri.

Tanto encanto há no seu jeito

feito de campo e açucena,

que as águas dançam no leito

enquanto a lua te acena.

Um anjo morre de inveja,

um astro morre de amor

ao ver-te cor de cereja,

tingindo o mundo de cor.

Menina, tão menininha,

nem sabes que és uma flor!