Curiosidade literária

3 04 2023

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O britânico George Gordon Byron (1788-1824), 6.º Barão Byron, ou Lord Byron, foi um dos mais influentes poetas ingleses.  Além de sua associação ao romantismo, ganhou fama no folclores literário por suas múltiplas aventuras amorosas: aparentemente ninguém conseguia escapar de seus encantos. A primeira obra que o fez centro de atenções e ilibações literárias foi publicada em 1812, com o título  Childe Harrod’s Pilgrimage [Peregrinação de  Childe Harrod].  Nela Byron descreve, em poesia, a longa viagem que fez por países europeus e do Oriente Médio. A fama veio súbita, logo após a publicação só dos dois primeiros cantos.  O sucesso foi tão rápido e completo que há registro de Byron ter exclamado  “I awoke one morning and found myself famous” [Acordei uma manhã e me encontrei famoso] acentuando sua conhecida imodéstia.  No entanto, além das escapadas amorosas e das publicações que agradaram ao público e à crítica, Byron cultivou a peculiaridade de viajar sempre, e viajou muito, com algumas dezenas de animais.  Um exemplo, foi a viagem que fez a Veneza, quando levou dez cavalos, três macacos, três pavões, oito cachorros, cinco gatos, uma cegonha, um falcão, uma águia e um corvo. 





Citando Camille Paglia na entrevista do jornal O GLOBO de 15/10/2014

16 10 2014

 

 

25artpaA arte da pintura, 1667

Johannes Vermeer (Holanda, 1632-1675)

óleo sobre tela, 120 x 100 cm

Kunsthistorisches Museum,  Viena

 

Trecho de entrevista do jornal O GLOBO com Camille Paglia.

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O GLOBO — Nós estamos em meio a eleições presidenciais no Brasil, e o tema da cultura está praticamente fora dos debates entre candidatos. Por que você acha que os governos ainda encaram a cultura como alegoria?

Camille Paglia — Os políticos habitam o mundo concreto, pragmático, e já não se espera que sejam analistas culturais. A educação é o veículo da cultura, e é por isso que é o lugar onde a sociedade deve investir fortemente. Infelizmente, nesse clima econômico instável, o apoio financeiro para a educação e as artes está diminuindo, fazendo parecer que a arte é uma frivolidade, quando há desemprego e as pessoas vivem em favelas miseráveis. Além disso, há 35 anos na área de humanas há uma epidemia venenosa das teorias pós-modernas e pós-estruturalistas, que reduz  a arte à política e nega seus sentimentos fundamentais. Como culpar os políticos por sua negligência, quando os guardiões das ciências humanas se comportam com tal irresponsabilidade e niilismo?

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O GLOBO — A pintura perdeu a primazia e a autoridade, como você afirma. Por que a pintura deve ter essa responsabilidade? Por que não outra linguagem artística?

Camille Paglia — Uma das principais invenções no mundo das artes foi o surgimento das pinturas portáteis e emolduradas durante o Renascimento. Antes disso, os pintores faziam suas grandes declarações em gesso fresco, nas paredes, onde a pintura estava estritamente ligada à arquitetura, ou em têmpera de ovo sobre madeira. Ambos secavam rapidamente, portanto os pintores tinham que trabalhar rapidamente, e usavam formas simples e poucas cores. A chegada da pintura a óleo, aperfeiçoada pela primeira vez na Holanda, permitiu que os artistas trabalhassem mais lentamente. Além disso, as misturas de tintas produziam finas gradações de cor, permitindo que o artista captasse sutilezas de luz, sombra e cor da pele. A pintura a óleo foi revolucionária e inspirou artistas a expressar e refinar suas personalidades, seus pensamentos e suas emoções. O declínio da pintura diante da abundância de novas mídias digitais, enfraqueceu seriamente esse prestígio. Centenas de grandes obras foram produzidas durante o reinado da pintura a óleo, ao longo de 500 anos. Mas onde estão as obras-primas de hoje?

O GLOBO — É mais importante o artista estar conectado à tradição ou ao seu próprio tempo?

Camille Paglia — Certos artistas parecem eclodir de seu momento histórico, simbolizando-o, como Lord Byron. Outros como El Greco e Emily Dickinson, são ignorados por seus contemporâneos e redescobertos pelas gerações seguintes. Todos os grandes artistas transcendem seus espaço e tempo. Em termos de tradição, artistas criam sua própria identidade em uma outra dinastia: eles podem rejeitar a geração que os formou e conectar-se com o mestres mortos há muito tempo. Se um artista deseja fama e prêmios instantâneos, ele fala para seu próprio tempo. Mas os maiores artistas saem do passado e falam para o futuro.

 

Para a entrevista completa: O GLOBO