Igreja das Dores vista a partir do Gasômetro, 1940
Angelo Guido (Itália-Brasil, 1893-1969)
óleo sobre eucatex, 38 x 48 cm
Igreja das Dores vista a partir do Gasômetro, 1940
Angelo Guido (Itália-Brasil, 1893-1969)
óleo sobre eucatex, 38 x 48 cm
Flores e pássaros
Noêmia Mourão (Brasil,1912 -1992)
óleo sobre tela, 65 x 54 cm
Vaso com plantas e pássaro, 1961
Emiliano Di Cavalcanti (Brasil, 1897-1976)
óleo sobre tela, 75 x 60 cm
Imagino que seja claro o ponto de ligação entre essas obras: pássaros nas adjacências de flores. No século XVII na Holanda, quando as naturezas mortas vieram para o mundo das artes com força, muitas das naturezas mortas traziam além das flores, pássaros, borboletas, lagartinhas e outros insetos. Naquela época naturezas mortas estavam associadas também a lembranças da brevidade da vida, ao exótico, afinal a Holanda, sede das Companhias das Índias Orientais e Ocidentais estava tomada pelo interesse do exótico. Ocasionalmente esses elementos nas telas dos pintores além das flores poderiam estar ligados também a provérbios. Ou seja, essas telas poderiam trazer além da beleza, lembrança de alguma sabedoria popular.
Arcos da Lapa, 1910
Gustavo Dall’Ara (Itália-Brasil, 1865-1923)
óleo sobre madeira, 41 x 44 cm
Dall’Ara foi um excelente pintor que retratou o Rio de Janeiro da virada do século XIX/XX como nenhum outro. Imigrante italiano, chegando ao Brasil em 1890, trouxe com ele algumas características da pintura europeia de final de século: cenas de rua, temática incluída na arte moderna através dos impressionistas . Abordou esse tema com a estética da época sob influência da fotografia, fazendo cortes de pessoas e de paisagens urbanas como se fossem instantâneos da vida cotidiana. Essa estética já bem divulgada entre pós impressionistas como Edgar Degas era novidade por aqui. Mas Dall’Ara para aí na absorção do novo, seduzido pela luz tropical e pela vida quase europeia do Rio de Janeiro de antanho, ele passa documentar como se quisesse catalogar para si mesmo, pontos em comum e diferenças entre o dia a dia dos dois hemisférios. Fascinado pela vida no Rio de Janeiro, sua obra tornou-se um grande documentário do cotidiano das ruas, praças, trânsito e paisagens urbanas. Além de excelente pintor tem um papel importante na documentação da cidade.
Patinadores no Natal, 1946
Djanira da Motta e Silva (Brasil, 1914 -1979)
colagem e guache sobre papel, situado Nova York, 31 x 23 cm
Natureza morta com bico de papagaio, 1990
Evilásio Lopes (Brasil, 1917 – 2013)
óleo sobre tela, 54 cm por 45 cm
Vaso com bicos de papagaio sobre a mesa, 1958
Domingos Gemelli (Brasil, 1915-1985)
óleo sobre tela, 55 X 80 cm
Aqui estão duas telas com representações da planta Bico de Papagaio associada à época do Natal. Essa associação é um costume importado principalmente dos Estados Unidos. A planta (e essas partes vermelhas não são uma flor, mas folhas modificadas com flores minúsculas aparecendo no centro destas modificações) é natural do México. A modificação das cores das folhas ocorre com um menor número de horas de exposição ao sol. Portanto quando o Bico de Papagaio é utilizado no planejamento de um jardim, o paisagista leva em conta que suas atraentes folhas vermelhas aparecerão no inverno. No hemisfério norte isso acontece na época do fim do ano, daí sua aparição como planta decorativa do Natal. Poucos artistas se dedicaram a representações do Bico de Papagaio, que eu conheça.
Natureza morta
Estevão Silva (Brasil, 1845-1891)
óleo sobre tela
Coleção Particular
Abóbora, 1956
Oswaldo Teixeira (Brasil, 1905 – 1974)
óleo sobre tela, 54 x 73 cm
Está claro que escolhi o tema abóbora. Não é um tema muito comum entre os pintores figurativos brasileiros mais modernos. Acho curioso. Mas há moda na escolha das frutas, dos legumes e das flores. Talvez não deva dizer moda. mas há preferências em diferentes épocas pelas flores ou frutos representados. Há certas flores, por exemplo, que desaparecem das naturezas mortas ao longo do século XX. Um bom estudo provavelmente revelaria as razões. Poderiam não estar mais à venda nas feiras livres. Uma observação rápida, superficial, mostra que não vemos nos dias de hoje ervilhas-de-cheiro à venda nos mercados ao ar livre, assim como não vemos mais mimosas, com suas flores-bolinhas amarelas. Por volta dos anos 60 elas desaparecem. Teria a ver com a produção de flores para exportação? Quem passa os olhos rapidamente sobre as naturezas mortas não percebe como alguns desses detalhes revelam muito não só sobre a época ou a cultura que as produziu, como sobre o artista que a elas se dedicou. Aos poucos colocarei aqui algumas observações.