Leitora
Karoline Kroiss (Áustria, 1975)
acrílica sobre papel, 62 x 62 cm
Leitora
Karoline Kroiss (Áustria, 1975)
acrílica sobre papel, 62 x 62 cm
Um momento de descanso, 2016
Aimère (França, 1962)
técnica mista, acrílica, colagem sobre tela, 80 x 80cm
Annie Dillard
Árvore da lagoa, Rio de Janeiro, 2006
Lucia de Lima (Brasil, contemporânea)
acrílica sobre tela
A árvore de Natal
John Koch (EUA, 1909-1978)
óleo sobre tela
Paul Villeneuve
Rio de Janeiro,capital da beleza, 1939
Bruno Lechowski (Polônia-Brasil, 1887 – 1941)
aquarela sobre papel, 62 x 80cmm
MNBA
Maternidade e Papai Noel, 1954
Marc Chagall (Rússia-França, 1887-1985)
guache sobre papel, 31 x 24 cm
Coleção Particular
Guillaume Apollinaire
Autorretrato, 2009
Havy Kahraman (Iraque-EUA, 1981)
óleo sobre tela, 172 x 76 cm
O primeiro Natal
William Henry Margetson (Inglaterra, 1861-1940)
aquarela, 18 x 28 cm
Georges Dor
Natureza morta, frutas e licoreira
Rodolfo Amoedo (Brasil, 1857-1941)
aquarela sobre papel, 39 x 45 cm
MNBA, Rio de Janeiro
Dona do Lar, 1944
Colette Pujol (Brasil, 1913 -1999)
óleo s tela, 46 x 38 cm
Abel Silva
E então começou a acontecer comigo
de encontrar a todo instante minha mãe.
Passo na fila da carne
lá está ela esperando a vez
chego comovido e irritado
vou tocar-lhe o ombro e dizer
bobagem, mãe!
pede a carne pelo telefone
mas logo percebo o engano me afasto
e a senhora desconhecida
ganha mais um metro na direção do balcão.
No táxi
vou gritar ao motorista que pare
minha mãe está na esquina sob o sol
não há dúvidas é ela
se protegendo da chuva sob a marquise
perplexa no arrastão ondeante de corpos esguios
perigosamente lenta na correnteza de meninos sem mãe
subitamente estrangeira
(minha mãe tão brasileira!)
sob códigos confusos
minha mãe nas mulheres entrevistadas pela TV
reclamando dos preços absurdos de tudo
nos bancos da rodoviária
na fila dos aposentados
minha mãe se multiplicando pelas ruas de minha cidade
onde carrego meu buquê de esperanças devastadas e sonhos implodidos
um mil séculos-luz longe do ninho
do ponto obscuro
uterino
de que hoje sou futuro.
Em: Mundo delirante: poesias, Abel Silva, Rio de Janeiro, Europa: 1990, p. 88









