Natureza morta
Maria Amélia D’Assumpção (Brasil 1883-1955)
óleo sobre tela
Natureza morta
Maria Amélia D’Assumpção (Brasil 1883-1955)
óleo sobre tela
Paisagem praiana
Hugo Adami (Brasil, 1899 — 1999)
óleo sobre tela, 60 x 80 cm
Luiz Peixoto
Eu vou pra beira do mar
esperar uma sereia,
que canta as canções do Vento,
que canta as canções do Mar.
Em noite de lua-cheia,
com ela vou me casar.
No leito branco da areia,
com ela vou me deitar.
E todo o amor que incendeia
meu coração vou lhe dar.
Quando a última candeia
das estrelas se apagar,
bem sei que ela irá embora,
mas um dia há de voltar.
As sereias vão e voltam,
São como as ondas do mar…
Em: Poesia de Luiz Peixoto, Rio de Janeiro, Editora Brasil-América:1964, p. 96
Leitura
Monika Luniak (Alemanha, contemporânea)
óleo sobre tela
Há escritores que surpreendem com a justaposição de eventos que escolhem para nos revelar a trama de um romance. Com isso mostram sua maneira de pensar, como retêm o que veem, a essência do que os preocupa. Formam uma colcha de retalhos que os leva à sabedoria, à lição do que observaram. Fora do Brasil, Julian Barnes é um escritor que seduz com similaridades que descobre em coisas aparentemente assimétricas. Este tipo de narrativa faz parte do charme da prata da casa, o escritor brasileiro Michel Laub. Seguir paralelos que não apresentam conexão imediata é um dos prazeres de seus livros e de A maçã envenenada.
Narrado na primeira pessoa, o personagem, jornalista de quarenta anos, procura respostas, para entender o motivo do suicídio de sua primeira namorada, Valéria. Oscilando entre dois eventos que, justapostos, o intrigam: o suicídio do músico Kurt Cobain e a entrevista de Immaculée Ilibagiza, sobrevivente do genocídio de Ruanda ele transita entre essas duas forças cujo ponto em comum é a preservação ou não da própria vida. Há, de um lado, um cantor, compositor, músico de sucesso, admirado no mundo inteiro, ídolo de uma geração, que despreza a vida e se suicida. De outro está a jovem africana, desconhecida e pobre, feita heroína pelas circunstâncias, porque preza a vida a ponto de sobreviver nas piores condições imagináveis, por um longo tempo. É no equilíbrio entre essas duas forças que o jornalista encontra o caminho da ponderação sobre eventos e sentimentos.

Fragmentos da letra Drain me, de Kurt Cobain, são usadas, para titular duas partes da narrativa. ‘A não ser que seja sobre mim’ [I don’t care what you think unless it is about me], apropriada para descrever a narcisista Valéria, e ‘Que sorte ter encontrado você’, ironicamente, aplicável ao nosso narrador [One baby to another says: I’m lucky I’ve met you]. Enquanto o título A maçã envenenada continua a referência à letra da música de Kurt Cobain, é usado em contraposição, [You’ve taught me everything without a poison apple]; pois o suicídio de Valéria é de fato verdadeira maçã envenenada para o homem maduro que revive a juventude, em busca do significado do suicídio de Valéria.
Ainda que estas referências sejam óbvias, a mim, a procura do protagonista e sua conclusão sobre o que é o suicídio, o que significou o suicídio de Valéria e o efeito que tem sobre os que estão à volta de quem o comete, lembrou duas conhecidas frases do escritor Patrick Ness “Nós somos as escolhas que fazemos” do livro The Knife of Never Letting Go e “Dizer que você não teve escolha é omitir sua responsabilidade”, do livro Monsters of Men.
Michel Laub
Este é o terceiro livro de Laub que leio. Ainda que seja parte de uma trilogia pode ser lido separadamente. Com ele termino o grupo. Para mim, dos três, o livro imperdível é Diário da Queda, que me encantou e comoveu. É o mais emotivo dos três, revelando, com genuína delicadeza, a fragilidade do narrador. Depois, a Maçã envenenada, que trabalha o texto de uma forma mais intelectual, com emoções menos explícitas e por fim O tribunal da quinta-feira, cuja óbvia dor psicológica do personagem principal é transmitida com ironia e distanciamento. De qualquer jeito, recomendo a leitura dos três livros em qualquer ordem que você queira colocá-los.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.
Moça com livro em mesa junto à janela
Anatoly Ivanov (Cazaquistão- Rússia, 1928 – 2012)
óleo sobre tela
“O suicídio é uma traição aos outros e a si mesmo, ao que você poderia se tornar no futuro, uma pessoa diferente que nunca poderá existir porque a linha foi interrompida antes que os erros sejam corrigidos.”
Em: A maçã envenenada, Michel Laub, São Paulo, Cia das Letras: 2013, p. 103
Paisagem do dique na Bahia, 1980
Jenner Augusto (Brasil, 1924 – 2003)
óleo sobre tela, 37 x 61cm
Mesa com flores, 2012
Sérgio Telles (Brasil, 1936)
óleo sobre tela, 73 x 60 cm
Paisagem do Canal da Barra da Tijuca, casario e Pedra da Gávea ao fundo
Gian Paolo (Brasil, 1965)
óleo s eucatex, 50 X 60 cm
Notícias matutinas
Alexander Mark Rossi (GB, 1840 – 1916)
óleo sobre tela, 60 x 91 cm
Bananeiras, ao Fundo Serra dos Órgão – RJ
Paulo Gagarin (Rússia-Brasil, 1885-1980)
óleo s tela, 41 X 34 cm
“Uma planta se dá também nesta província, que foi da ilha de São Tomé, com a fruta da qual se ajudam muitas pessoas a sustentar na terra. Esta planta é muito tenra e não muito alta, não tem ramos senão umas folhas que serão sei ou sete palmos de comprido. A fruta dela se chama bananas; parecem-se na feição com pepinos, e criam-se em cachos; alguns deles há tão grandes que tem de 150 bananas para cima. E muitas vezes é tamanho o peso delas que acontece quebrar a planta pelo meio. Como são de vez colhem-se estes cachos, e dali a alguns dias amadurecem. Depois de colhidos, cortam esta planta, porque não frutifica mais que a primeira vez, mas tornam logo a nascer dela uns filhos que brotam do mesmo pé, de que se fazem outros semelhantes. Esta fruta é mui saborosa, e das boas que há na terra; tem uma pele como de figo (ainda mais dura) a qual lhe lançam fora quando a querem comer; mas faz dano à saúde e causa febre a quem se demanda nela.”
Em: História da província de Santa Cruz, Gandavo [Pero Magalhães de Gandavo], organização de Ricardo M. Valle, São Paulo, Editora Hedra: 2008, pp 89-90.
Natureza morta
Olímpia Couto (Brasil, 1947)
óleo sobre eucatex, 50 x 70 cm