Senhora lendo com gato, 1920
Anita Rée (Alemanha, 1885 – 1933)
aquarela, 29 x 23 cm
Nunca bastante livros
Rita Curtis (EUA, contemporânea)
óleo sobre tela, 75 x 75 cm
Coleção Particular
Em 2017, A ordem do dia, de Éric Vuillard, ganhou o Goncourt, maior prêmio literário da França. Dois anos depois o livro foi publicado no Brasil, com tradução de Sandra M. Stroparo. Neste meio tempo, houve alguma controvérsia sobre o conteúdo. Pertencente à categoria de ficção histórica, muitos leitores se depararam com texto descrevendo momentos históricos da Segunda Guerra Mundial que traziam abertamente suposições e interpretações do autor, opiniões claramente elaboradas. De maneira inteligente e tangencial Vuillard se concentra em participantes menores de eventos conhecidos, condicionando a narrativa a pequenos eventos, retratos de momentos, cenas, vinhetas do poder alemão até a anexação da Áustria ao domínio nazista em 1938.
Discordo das críticas. Toda reconstrução histórica sofre viés interpretativo. Vuillard dá um passo além, talvez mais honesto, ao esclarecer suas opiniões, demonstrar seu desdém, sua revolta. Autores de ficção histórica frequentemente dão maior ou menor ênfase a acontecimentos de acordo com a interpretação do passado que seus dados apontam. Éric Vuillard escreveu um livro de ficção e tem todo direito de expor nessa narrativa suas ideias e conclusões. O resultado das vinhetas relatadas nesta prosa, com viés narrativo do autor, é o choque para esta leitora, pelo menos, da imensidão do financiamento econômico que permitiu o crescimento do nazismo, pelos grandes industriais da época, vinte-quatro ao todo, além do Secretário de Relações Exteriores da Grã Bretanha, Lord Halifax e o Chanceler da Áustria Kurt Schuschssnigg.
É evidente que o autor fez extensa pesquisa histórica. A narrativa através de encontros importantes para o sucesso econômico do fascismo surpreende. Minhas lembranças dos tempos de estudante no ensino médio, quando memorizava uma lista de datas, recitadas como tabuada, o rol de eventos que levam ao domínio dos fascistas na Alemanha foram inevitáveis; assim como foi indiscutível a paulatina, sistemática e penosa realização, nessa leitura, do progresso de domínio do território austríaco pelas tropas nazistas. Essa terra de Hitler ficou para sempre na memória de todos que se debruçaram sobre a história do século passado, como rapidamente caída na teia fascista. Mas, aqui, através das emoções do escritor, em sua revolta, ainda que consiga também achar o humor de alguns momentos, tudo parece novo. E chocante.
Mais do que merecido o prêmio Goncourt. Leitura importante para afiarmos a sensibilidade do que e de como Hitler conseguiu tão rapidamente tanto poder. Contrário à maioria dos livros sobre a Segunda Guerra Mundial, A ordem do dia, é um volume pequeno de meras cento e quarenta páginas. Recomendo, principalmente àqueles que se interessam pelo perfil histórico do século passado.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.
Tarde de leitura
Vincenzo Irolli (Itália, 1860-1942)
óleo sobre tela
O romance Os Miseráveis de Vítor Hugo, não foi popular só entre os parisienses do século XIX. Esse livro de muitas centenas de páginas foi o livro mais popular e lido entre os soldados americanos da Guerra Civil daquele país (1861-1865).
Café da manhã
Alberto Morrocco (Escócia,1917-1998)
óleo sobre tela, 65 x 70 cm
Gracefield Arts Center, Dumfries, Escócia
Paisagem do Rio de Janeiro, Corcovado visto da Lagoa Rodrigo de Freitas, 1931
José Maria dos Reis Júnior, (Brasil, 1903-1985)
óleo sobre tela
Lago Starnberger, 1911
Wilhelm Trübner (Alemanha, 1851-1917)
óleo sobre tela, 40 x 50 cm
Museu Thyssen-Bornemisza, Madri
Natureza morta com lilases, madressilvas, lírios do vale e outras flores em vaso de cristal
Hermania Sigvardine Neergard (Dinamarca, 1799-1874)
óleo sobre tela, 43 x 58 cm
Moça lendo, 1938
Pablo Picasso (Espanha, 1881- 1973)
óleo sobre tela, 69 x 55 cm
Detroit Institute of the Arts
Agatha Christie se inspirava e anotava detalhes de seus livros de mistério, enquanto comia maçãs na banheira de casa.