Praia de Copacabana
Tadashi Kaminagai (Japão, 1899-França, 1982)
óleo sobre madeira, 38 x 46 cm

Cinerárias no peitoril da janela
Grã-Duquesa Olga (Rússia, 1882-1960)
óleo sobre tela, 33 x 41 cm
Que serenidade que esta cena me traz! Sim, eu gostaria de me sentar nesta confortável poltrona, manta no colo, livro absorvente nas mãos, tomando café (o bule é de café, os de chá são baixinhos e gordinhos), protegida do frio lá fora. A primavera se aproxima lentamente. Mas há esperança de que esteja para chegar. Há flores nos potes que alegram o peitoril. O sol se faz presente, réstia clara que traz um tantinho de sombra à janela. Está alto. Trata-se portanto de meia manhã ou cedo na tarde. Os dias são curtos no inverno. Faz frio. Neve congelada cobre os galhos da árvore sem folhas. Mas não há pequenos brotos de folhas nos galhos, portanto a Natureza ainda dorme neste frio de inverno. No entanto, o pombo branco se aventura fora do ninho, na construção ao lado. Será uma casa? Ou um celeiro? Estamos numa região onde o frio impera. Há duplas vidraças na janela, para conter as rajadas de vento e as temperaturas baixas. Ainda bem que estamos aqui dentro. Confortáveis. O luxo não é extravagante, comedido. Ele se caracteriza pelo belo estofamento desta bergère, (nome dado as essas poltronas ‘com orelhas’ que guardam o rosto, de quem se senta nelas, da brisa fria ou do calor de uma lareira). Além disso, há o serviço de café sobre a mesa. De prata? De banho de prata? Ou de estanho polido? Não importa. O cabo de madeira, assim como a carrapeta da tampa, protegem quem serve o café do calor do líquido. O cabo em forma decorativa nos dá ideia da época de manufatura, final do século XIX às primeiras décadas do século XX. Todos esses são diferentes graus de luxo. A cena é europeia. Afinal de contas onde mais encontraríamos uma cumbuca sem asa para tomar chá ou café? Esse detalhe nos coloca na Europa Oriental: Rússia, Polônia, Ucrânia. Não sabemos. A porcelana é fina, azul e branca, talvez alemã, (Meissen?) ou húngara? Polonesa? Sabemos que é de boa qualidade porque é muito fina, quase transparente nas bordas e tem excelente brilho. Mas o que mais me encanta é a paz que esta cena me traz. A quietude do momento. Quase escuto o arrulho do pombinho lá fora.
Jovem segurando uma partitura, 1755
D’après Louis Jean François Lagrenée (França, 1724-1805)
The Palmer Museum of Art, The Pennsylvania State University
Giàcomo Girolamo Casanova viveu no século XVIII. Nasceu em 1725 na antiga República de Veneza, portanto bem antes da unificação da Itália em 1870. Escreveu a autobiografia História da minha vida, que o tornou famoso, bem depois de ter-se tornado um homem maduro. Antes disso, tentara a vida militar e a eclesiástica. Teve muitas aventuras, fugiu da cadeia, foi um aventureiro de grande porte. Acabou vivendo sob os auspícios do Conde da Boêmia, em Duchcov, na República Checa, de 1785 até sua morte, em 1792. Casanova, declarou ter escrito a biografia por tédio, para surpresa de seus leitores, que não acreditavam que isso fosse possível, já que ele alegara ter tido relações amorosas com cento e vinte e duas mulheres. É justamente essa informação sobre sua habilidade sexual que o tornou popular. Ficou famoso, seu nome, por extensão, significa homem conquistador, libertino, nos círculos mais letrados. Mas suas memórias são até hoje usadas para o estudo de comportamento e hábitos das sociedades no século XVIII.
Mulher
Armand Schönberger (Hungria, 1885-1974)
pastel sobre papel, 18 x 13 cm
“Como já mencionei, uma das teorias de minha mãe era que criança alguma deveria ter permissão de aprender a ler até os oito anos. Como essa teoria não foi cumprida por mim, tive licença de ler tanto quanto quis, e aproveitava todas as oportunidades para isso. A sala de aulas, como era chamada , era um cômodo no último andar da casa, quase completamente forrado de livros. Algumas das prateleiras eram dedicadas a literatura infantil: Alice in Wonderland [Alice no País das Maravilhas] e Through the Looking Glass [Através do Espelho]; os antigos, sentimentais contos vitorianos que já mencionei, tais como Our Little Violet [Nossa Pequena Violeta]; os livros de Charlotte Young, incluindo The Daisy Chain [A Corrente de Margaridas]; uma coleção completa, creio, de Henry, e, além disso, numerosos livros de estudo, romances, e outros tipos. Eu lia indiscriminadamente, escolhendo qualquer livro que me interessasse, lendo, portanto, muita coisa que não entendia, mas que retivera minha atenção.”
Em: Autobiografia, Agatha Christiie, tradução de Maria Helena Trigueiros, Rio de Janeiro, Nova Fronteira:1979, pp. 97-8.
Natureza morta: vaso com rosas
Alfredo Volpi (Itália-Brasil, 1896-1988)
óleo sobre madeira, 23 x 18 cm
Leblon de fogo, 2013
Aloysio Zaluar (Brasil, 1937)
óleo sobre tela, 50 x 60cm. Assinado Rio de Janeiro 2013.