Notícias matutinas
Alexander Mark Rossi (GB, 1840 – 1916)
óleo sobre tela, 60 x 91 cm
Notícias matutinas
Alexander Mark Rossi (GB, 1840 – 1916)
óleo sobre tela, 60 x 91 cm
Bananeiras, ao Fundo Serra dos Órgão – RJ
Paulo Gagarin (Rússia-Brasil, 1885-1980)
óleo s tela, 41 X 34 cm
“Uma planta se dá também nesta província, que foi da ilha de São Tomé, com a fruta da qual se ajudam muitas pessoas a sustentar na terra. Esta planta é muito tenra e não muito alta, não tem ramos senão umas folhas que serão sei ou sete palmos de comprido. A fruta dela se chama bananas; parecem-se na feição com pepinos, e criam-se em cachos; alguns deles há tão grandes que tem de 150 bananas para cima. E muitas vezes é tamanho o peso delas que acontece quebrar a planta pelo meio. Como são de vez colhem-se estes cachos, e dali a alguns dias amadurecem. Depois de colhidos, cortam esta planta, porque não frutifica mais que a primeira vez, mas tornam logo a nascer dela uns filhos que brotam do mesmo pé, de que se fazem outros semelhantes. Esta fruta é mui saborosa, e das boas que há na terra; tem uma pele como de figo (ainda mais dura) a qual lhe lançam fora quando a querem comer; mas faz dano à saúde e causa febre a quem se demanda nela.”
Em: História da província de Santa Cruz, Gandavo [Pero Magalhães de Gandavo], organização de Ricardo M. Valle, São Paulo, Editora Hedra: 2008, pp 89-90.
Tintin ia viajar, ilustração de Hergé. (O trem para Nyon?… Muito tarde, Senhores: lá vai ele, agora mesmo.)
Quem vai sem fé… sem coragem,
no embarque do trem da vida,
decreta o fim da viagem
antes mesmo da partida!
(José Almir Loures)
Natureza morta
Olímpia Couto (Brasil, 1947)
óleo sobre eucatex, 50 x 70 cm

“Os meus dias de menino eram bem movimentados, não obstante a pacatez da vida do arraial. Trançando da rua para o quintal, em carreirinhas espertas, entrava eu em casa e atravessava a sala de jantar onde furtava biscoito fofo e broa de fubá mimoso, toda vez que roçasse pelo grande armário rústico, encostado à larga parede sem janelas.
Mas, ai de mim! Nem tudo era flores na boa vidinha da roça! O meu cavalo Brinquinho, pequira e pedrês, escorregou certa tarde de chuca, no facão da estrada de carro e pinchou-me no barranco, virando-se de costas. Apertou-me a perna esquerda que não se quebrou por milagre. Uma outra ocasião, um cachorro de boiadeiro, cortando a capoeira, da estrada de carro para o trilho de cavaleiros, surgiu-me pela frente, e o Brinquinho refugou, rodando, imprevisto, nos pés. Largou-me de borco na poeirinha do caminho.”
Vocabulário
pequira – raça brasileira de cavalos dóceis, marchadores e de fácil manejo
borco — voltado para baixo
Em: Tamboril, Oscar Negrão de Lima, Rio de Janeiro, editora José Olympio: 1961, p.27-8
Tarde preguiçosa de leitura
Arlene Cassidy (Canadá, contemporânea)
Na mesa da roleta no cassino em Monte Carlo, 1892
Edvard Munch (Noruega, 1863-1944)
óleo sobre tela, 74 x 116 cm
Museu Munch, Oslo
Fiódor Dostoiévski, escreveu a novela, O jogador, publicada em 1867, como pagamento de uma dívida de jogo. Parte das dificuldades financeiras que sofreu por toda vida era resultado de seu vício de jogador. A primeira vez que se dedicou à roleta, jogo que o seduziu de imediato, foi em 1862, Numa das vezes em que perdeu, em 1866, concordou em escrever um livro em um mês. Se não conseguisse abdicaria os direitos de autor, de todos os livros até então publicados, em benefício de F. T. Stellovsky, conhecido editor dos maiores escritores russos da época. A aposta acordada tinha prazo até 1º de novembro daquele ano. O jogador, obra que Thomas Mann considerou uma das melhores de Dostoiévski, foi escrita em 26 dias. Para isso Dostoiévski deixou de lado o manuscrito de Crime e Castigo, em que trabalhava. E pediu auxílio da estenógrafa Anna Grigoryevna para poder entregar o manuscrito em tempo. Um ano depois, eles se casaram.
Ilustração de Kathy Wolmack
Abel Silva
Sou destituído de fé religiosa
mas confio. Não tenho alternativas.
Eu não conheço o engenheiro
mas entro neste prédio.
Não conheço o piloto
e embarco no avião.
Não sei quem plantou
colheu ou preparou:
mas bebo o vinho
e como o pão.
Em: Mundo delirante: poesias, Abel Silva, Rio de Janeiro, Europa: 1990, p. 18
Vaso, 1882
John Bennett (GB, 1840- 1907)
Cerâmica pintada e esmaltada, 27 x 27 cm
Metropolitan Museum, Nova York
John Bennett foi um dos introdutores nos Estados Unidos de estética semelhante a do movimento estético inglês liderado por William Morris. Tendo desenvolvido técnica própria para a pintura sob esmalte, demonstrou-a na Philadelphia Centennial Exhibition em 1876. Logo depois ele se estabeleceu na cidade de Nova York. Sua esmaltagem, decoração e temática popularizaram o que mais tinha em comum com o movimento estético britânico. Note-se a decoração quase como uma marca d’água presente na cor do fundo que se tornou típica de seu trabalho. Este é um dos raros vasos que o ceramista colocou sua assinatura no próprio bojo da peça.
Paisagem com rio, 1928
[Cataguases]
Aníbal Mattos (Brasil, 1886-1969)
óleo sobre madeira, 49 x 34 cm