Retrato do pintor Algernon Talmage, 1912
Hilda Fearon (GB, 1878 -1917)
óleo sobre tela
Estação de trem
Sylvio Pinto (Brasil, 1918 – 1997)
óleo sobre tela, 40 x 60 cm
Álvaro Moreyra
A minha terra…
É um céu tão azul que eu nunca mais olhei outro céu tão azul…
É um rio chamado Guaíba que tem uma ilha chamada Pintada…
É uma casa grande…
A minha terra…
Aquela procissão de noite…
O circo de Paulo Cirino…
A estação da estrada de ferro de onde saía o trem para São Leopoldo…
A minha terra cabe toda dentro de mim…
A minha terra é do tamanho de minha infância…
Porto Alegre…
Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1967, Coleção Henriqueta, pp. 10-11.
Old maid*, 1886
Frederick Goodall (GB, 1822-1904)
óleo sobre tela, 110 x 97 cm
Coleção Particular
*Old maid é um jogo de cartas que no Brasil leva o nome de Mico, Burro, e outras variantes regionais. Trata-se de um jogo de casar cartas iguais. Quem ficar com a única carta que não tem par, na última rodada, perde. Muito jogado entre crianças e avós e crianças.
Autorretrato, 1898
Frank W. Benson (EUA, 1868-1951)
óleo sobre tela, 53 x 43 cm
National Academy of Design, NY
Cajueiro, 2016
Feliciano dos Prazeres (Brasil, 1978)
acrílica sobre eucatex, 70 x 94 cm
O cajueiro já devia ser velho quando nasci. Ele vive nas mais antigas recordações da minha infância: belo, imenso, no alto do morro, atrás da casa. Agora vem uma carta dizendo que ele caiu.
Eu me lembro do outro cajueiro que era menor, e morreu há muito mais tempo. Eu me lembro dos pés de pinha, do cajá-manga. da grande touceira de espada-de-são-jorge (que nós chamávamos simplesmente de “tala”) e da alta saboneteira que era nossa alegria e a cobiça de toda a meninada do bairro porque fornecia centenas de bolas pretas para o jogo de gude. Lembro-me da tamareira, e de tantos arbustos e folhagens coloridas, lembro-me da parreira que cobria o caramanchão, e dos canteiros de flores humildes, “beijos”, violetas. Tudo sumira; mas o grande pé de fruta-pão ao lado da casa e o imenso cajueiro lá no alto eram como árvores sagradas protegendo a família. Cada menino que ia crescendo ia aprendendo jeito de seu tronco, a cica de seu fruto, o lugar melhor para apoiar o pé e subir pelo cajueiro acima, ver de lá o telhado das casas do outro lado e os morros além, sentir o leve balanceio na brisa da tarde.
No último verão ainda o vi; estava como sempre carregado de frutos amarelos, trêmulo de sanhaços. Chovera; mas assim mesmo fiz questão de que Carybé subisse o morro para vê-lo de perto, como quem apresenta a um amigo de outras terras um parente muito querido.
A carta de minha mais moça diz que ele caiu numa tarde de ventania, num fragor tremendo pela ribanceira; e caiu meio de lado, como se não quisesse quebrar o telhado de nossa velha casa. Diz que passou o dia abatida, pensando em nossa mãe, em nosso pai, em nossos irmãos que já morreram. Diz que seus filhos pequenos se assustaram; mas depois foram brincar nos galhos tombados.
Foi agora, em setembro. Estava carregado de flores.
Em: Histórias do homem rouco, Rubem Braga, Rio de Janeiro, O Dia Livros: 1998, apresentação de Ary Carvalho, pp: 57-8.
Leitura, 1912
Henrik Lunde (Noruega, 1879-1935)
óleo sobre tela
Soren Kierkegaard