Em casa: Elena Oleniuc

23 08 2020

Dia de chuva, 2017

Elena Oleniuc (Romênia, 1956)

óleo sobre tela, 40 x 35 cm





O que escrevo, texto de Binnie Kirshenbaum

23 08 2020

Ilustração de David Galchutt (EUA, contemporâneo)

 

 

“O grande estardalhaço sobre mim é que eu escrevo obedecendo rigorosamente, alguns podiam dizer anacronicamente, à forma. Sonetos, vilancetes, caçonetas, sextinas, essas coisas, que não têm nada de novo, para dizer o mínimo.  É que, aderindo à forma, a minha linguagem é a da rua. Com gíria, coloquial e desbocada. Escrevo pornografia e sujeira em terza rima. Meus poemas são muitas vezes áridos, feios e fermentados com um humor negro. Escrevo sobre a experiência individual, na crença de que uma vida reflete todas as vidas. Dizem, aqueles que gostam dessas coisas, que sou um tanto poeta intimista quanto formal. Acho que é verdade, embora muitos episódios que conto não sejam meus necessariamente. Isto acontece com todos os escritores. Eles roubam fatos de nossas vidas e fazem o que querem.”

 

Em: Poesia pura, Binnie Kirshenbaum, Rio de Janeiro, Record: 2002, tradução de Lourdes Menegale, página 20.





Flores para um sábado perfeito!

22 08 2020

Cesto com Flores, 1944

Nazareno Altavilla (Brasil, 1921 – 1989)

óleo sobre tela, 44 x 34 cm





Rio de Janeiro, um parque à beira-mar

21 08 2020

Estrada do Alto da Boavista, Rio de Janeiro, 1941

Gastão Formenti (Brasil, 1894 – 1974)

óleo sobre tela, 41 x 33 cm





Resenha: Pátria, de Fernando Aramburu

21 08 2020

Lendo

Monica Castanys (Espanha, 1973)

 

Por motivos profissionais de meu marido, passei algum tempo na antiga Iugoslávia, saindo de lá na semana em que a guerra da independência dos estados e eventualmente da Sérvia contra a Bósnia começou. No período que estivemos lá um dos mais incompreensíveis comportamentos que testemunhamos foi o ódio de uns pelos outros muitas vezes por crimes acontecidos há dois ou três séculos, quando aldeias inteiras de um grupo guerreavam contra aldeias de diferentes religiões ou etnias.  Lembro-me de acreditar que sentimentos de ódio de tal maneira entranhados  na cultura de um lugar são mais tipicamente encontrados na Europa do que em qualquer país do Novo Mundo.  A razão é simples: imigrantes que vieram do Velho Mundo deixaram para trás não só a terra natal, mas os hábitos e os ódios centenários para se adaptar a novas realidades.  Ler Pátria de Fernando Aramburu [tradução de Ari Roitman e Paulina Wacht] lembrou-me dessas características do Velho Mundo, quase inexplicáveis para aqueles que de lá emigraram.  Rusgas políticas, ódios e desprezo podem e frequentemente tomam conta de aspectos vitais do relacionamento social de grupos étnicos, principalmente quando imaginam que na conta está a identidade nacional, mesmo que esta seja mais teórica do que prática.

Pátria trata do movimento terrorista separatista do País Basco, uma região que cobre parte da Espanha e da França, que um quarto da população fala uma das mais antigas línguas do mundo e que se imaginava capaz de ser um país independente.   Lugar pequeno, com língua esdrúxula, população de dois milhões, mas portador de um ego extraordinário, imaginando-se possuidor de importância. Se independente teria que competir com países vizinhos, na indústria, na educação, na saúde e em tudo aquilo que os identificava. Conseguiriam?  Não. Contavam, claro, com uso pleno de enormes fundos da Comunidade Europeia.  Ou seja, impostos pagos pelos alemães, franceses, ingleses, espanhóis e demais para que eles, os bascos, mantivessem sua identidade independente.  Fantasia. Desvario socio-cultural.   Impossível justificar-se.  Nem a eles mesmos o ETA [Movimento separatista] conseguiu captar a imaginação de toda a população. Apelaram, então, pelo recurso das milícias: ou você participa do nosso plano pagando uma mensalidade ao movimento separatista ou morre.  Nenhum movimento de independência pode ter sucesso desta maneira. É preciso incendiar imaginações.  É preciso oferecer realidade melhor do que a existente. Eles tampouco tiveram, desistindo oficialmente da separação em 2018.

 

 

 

Para mostrar o exagero miliciano do movimento separatista basco, Fernando Aramburu foca em duas famílias, cujas matriarcas eram as melhores amigas desde criança. Casaram-se, tiveram filhos. Cada qual cumpre seu destino: uma enriquece através do sucesso empresarial do marido, outra se dedica ao movimento separatista, são pobres e invejosos. As amigas se separam. Passam a se odiar. Quando o assassinato do empresário ocorre, a viúva encontra problemas ao voltar para o lugar em que moravam. É nesse ponto que encontramos pela primeira vez os principais personagens de Aramburu. A trama é envolvente. Com capítulos curtos vamos e voltamos no tempo cobrindo aquilo que foi acontecendo — dramas físicos e emocionais dos personagens.

Mas, por mais que detalhes do dia a dia sejam retratados vemos que os personagens pensam sempre no passado, ninguém supera as maldades que sofreu ou que impôs aos outros. As família retratadas quase vivem em função uma da outra, alimentando o ódio assim como os habitantes da antiga Iugoslávia me pareceram fazer sobre acontecimentos enraizados há séculos nas aldeias do país. Ninguém consegue sair do passado. Ninguém consegue esquecer. Perdoar seria necessário para crescerem, para se livrarem. Resta saber se os personagens serão grandes bastante para fazê-lo.

Fernando Aramburu

No entanto, a leitura é dificultada por excesso de palavras em basco (realmente, precisamos de um dicionário no final de um romance?). É detalhada demais, o leitor atenta ao que pode ou não ser importante (se um vaso de planta é um gerânio, se as pedras de um bracelete são verdes) que pode ou não ser relevante. Como tantos livros publicados nos últimos anos, faltou o trabalho de um bom editor que cortasse pelo menos umas cento e oitenta páginas dessa obra de mais de quinhentas. Não há necessidade disso tudo.

Fora isso é uma boa leitura. Não entendo o motivo de ter se tornado “leitura obrigatória da intelectualidade carioca”. Mas reconheço que em tempos de pandemia, todos com tempo de sobra, um livro com uma boa história, mesmo por demais longo, possa preencher as manhãs, tardes e noites de isolamento social. Aprende-se um bocado sobre o país basco, além das paixões humanas.

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Imagem de leitura — Fongwei Liu

20 08 2020

 

 

Fongwei Liu (China,), uma velha história,2009, ostUma velha história, 2009

Fongwei Liu (China, radicado nos EUA)

óleo sobre tela

 





Trova da virtude

20 08 2020

 

 

e não tenho um tostãoBolinha não tem um tostão.

 

 

Busca primeiro a virtude;

teu ouro, busca depois.

Quem não toma essa atitude

acaba perdendo os dois!

 

(Renata Paccola)





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

19 08 2020

Natureza Morta com Frutas

Manoel Santiago (Brasil, 1897 – 1987)

Óleo sobre tela, 46 x 55 cm





Nossas cidades: Poços de Caldas

18 08 2020

Poços de Caldas

Colette Pujol (Brasil, 1913 – 1999)

óleo sobre madeira, 19 x 29 cm





Analogia, poesia de Ferreira Leal

17 08 2020

Ilustração de Harrison Fisher (1875 – 1934)

Analogia

 

Ferreira Leal

 

 

Entre Elisa e a pimenta

Acho tanta semelhança,

Que quando a moça me tenta,

Vem-me a pimenta à lembrança.

 

Se a donzela se agonia,

Da fruta assume o rubor;

E p’ra mais analogia

Têm ambas o mesmo ardor.

 

Quer que uma e outra excite

O destino alterações

A pimenta – no apetite,

Elisa – nos corações.

 

Afinal, se mais se atenta,

Tanto acordo se divisa,

Que, como Elisa é pimenta,

Também a pimenta é lisa.

 

 

Em: Mosaico, diversos autores, Rio de Janeiro, Biblioteca Brasileira: 1878, N

 º 2, agosto, página 37.