Cajueiro, crônica de Rubem Braga, para o dia da Terra, 22 de abril

22 04 2021

Cajueiro, 2016

Feliciano dos Prazeres (Brasil, 1978)

acrílica sobre eucatex, 70 x 94 cm

 

Cajueiro

O cajueiro já devia ser velho quando nasci. Ele vive nas mais antigas recordações da minha infância: belo, imenso, no alto do morro, atrás da casa. Agora vem uma carta dizendo que ele caiu.

Eu me lembro do outro cajueiro que era menor, e morreu há muito mais tempo. Eu me lembro dos pés de pinha, do cajá-manga. da grande touceira de espada-de-são-jorge (que nós chamávamos simplesmente de “tala”) e da alta saboneteira que era nossa alegria e a cobiça de toda a meninada do bairro porque fornecia centenas de bolas pretas para o jogo de gude. Lembro-me da tamareira, e de tantos arbustos e folhagens coloridas, lembro-me da parreira que cobria o caramanchão, e dos canteiros de flores humildes, “beijos”, violetas. Tudo sumira; mas o grande pé de fruta-pão ao lado da casa e o imenso cajueiro lá no alto eram como árvores sagradas protegendo a família. Cada menino que ia crescendo ia aprendendo  jeito de seu tronco, a cica de seu fruto, o lugar melhor para apoiar o pé e subir pelo cajueiro acima, ver de lá o telhado das casas do outro lado e os morros além, sentir o leve balanceio na brisa da tarde.

No último verão ainda o vi; estava como sempre carregado de frutos amarelos, trêmulo de sanhaços. Chovera; mas assim mesmo fiz questão de que Carybé subisse o morro para vê-lo de perto, como quem apresenta a um amigo de outras terras um parente muito querido.

A carta de minha mais moça diz que ele caiu numa tarde de ventania, num fragor tremendo  pela ribanceira; e caiu meio de lado, como se não quisesse quebrar o telhado de nossa velha casa. Diz que passou o dia abatida, pensando em nossa mãe, em nosso pai, em nossos irmãos que já morreram. Diz que seus filhos pequenos se assustaram; mas depois foram brincar nos galhos tombados.

Foi agora, em setembro. Estava carregado de flores.

Setembro 1954

 

Em: Histórias do homem rouco, Rubem Braga, Rio de Janeiro, O Dia Livros: 1998, apresentação de Ary Carvalho, pp: 57-8.





Imagem de leitura — Helen Allingham

22 04 2021

William Allingham, 1876

Helen Allingham (Grã-Bretanha, 1848-1926)

aquarela sobre papel





Sobre o tempo, Kierkegaard

21 04 2021

Leitura, 1912

Henrik Lunde (Noruega, 1879-1935)

óleo sobre tela

 
“O momento não é propriamente um átomo do tempo, mas um átomo da eternidade.”

 

Soren Kierkegaard





Trova do espelho

21 04 2021
Ilustração de Edmund Franklin Ward (EUA, 1892-1990)

 

 

A saudade é simplesmente

Um claro espelho encantado;

mira-se nele o presente      

e ele reflete o passado.

(Geralda Armond)





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

21 04 2021

Natureza morta

Auguste Petit (França-Brasil, 1844 – 1927)

óleo sobre cartão, 25 x 35 cm





Nossas cidades: Campinas

20 04 2021

Ipê roxo no meio da avenida Orozimbo Maia, Campinas

Helena Ohashi (Brasil, 1897 – 1966)

óleo sobre tela, 30 X 40 cm





Na África, poesia de Álvares de Azevedo Sobrinho

19 04 2021

Alegoria da África,1834

[Da série, Alegorias dos Quatro Continentes]

François Dubois (França, 1790-1871)

óleo sobre tela,  80 x 201 cm

 

Na África

 

Manoel Antônio Álvares de Azevedo Sobrinho

 

A noite, novamente, reaparece

E sopra pela costa o rijo vento.

O vento abrasador no ocaso,

Soluça o verde mar como um lamento.

 

Validê tem o olhar no firmamento

Enquanto Allah recebe sua prece…

E nos seus olhos úmidos, parece,

Paira a saudade como o pensamento.

 

Caminha a caravana no deserto,

Sobre os negros cavalos estafados,

Sem oásis avistar distante ou perto…

 

E a moça relembrando o amor que sente,

O ardente pranto dos apaixonados,

Triste, derrama sobre a areia ardente!

 

Em: Poetas cariocas em 400 anos, ed. Frederico Trotta, Rio de Janeiro, Editora Vecchi: 1965, pp. 213-14.





Em casa: Andrew Wyeth

18 04 2021

Vento do mar, 1947

Andrew Wyeth (EUA, 1917 -2009)

têmpera sobre placa, 47 x 70 cm

National Gallery, Washington DC





Esmerado: Compoteira ducal

17 04 2021

Compoteira do serviço de sobremesa do Duque d’Orléans, 1842

Fundição: Jean-François Denière, com ateliê em Paris

Projeto: Jean-Baptiste-Jules Klagmann , autor do modelo e escultor

Altura: 32,3 cm Diâmetro: 28,7 cm

Cristal gravado e dourado, apoiado por bronze dourado, sobreposição de prata e incrustação de pedras preciosas (cornalinas, chrisoprase, ametistas, granadas, ágatas e turquesas)

 

Serviço encomendado pelo Duque d’Orléans em 1840 e entregue em 1842. Na Exposição de objetos da indústria de 1844, Jean-François Denière apresentou uma dezena de peças deste serviço que foram entregues à duquesa d’Orléans. O serviço foi colocado à venda em 1853.

 

©PhotoLes Arts Décoratifs, Paris/Jean Tholance.





Flores para um sábado perfeito!

17 04 2021

Vaso com flores, 1984

Alfredo Volpi (Itália-Brasil, 1896-1988)

Óleo sobre tela, 35 x 45 cm