Paisagem com Igreja da Penha, 1915
Arthur Timótheo da Costa (Brasil, 1882 – 1922)
óleo sobre tela
Coleção Particular
Paisagem com Igreja da Penha, 1915
Arthur Timótheo da Costa (Brasil, 1882 – 1922)
óleo sobre tela
Coleção Particular
Auto-retrato com gola de pele, 1940
Annie Caroline Pontifex Fernhout-Toorop conhecida como Charley Toorop
(Holanda, 1891 – 1955)
Natureza Morta, 1952
Shokichi Takaki (Japão/Brasil, 1916 – 2006)
óleo sobre tela, 55 x 45 cm
Mercado Ver-o-Peso, Belém, Pará
João Bosco Campos (Brasil, 1964 – 2012)
óleo sobre tela, 60 x 100 cm
Trabalhadores no Cais, 1979
Cláudio Tozzi (Brasil, 1944)
acrílica sobre tela, 120 x 120 cm
Cid Silveira
Na faina do porto gemia o guindaste,
jogando no pátio de pedras, de chofre,
a mercadoria pendendo-lhe da haste,
dezenas de sacos de pedra de enxofre.
Os trabalhadores das docas, externos,
não usam camisa, mas faixa na ilharga.
Trabalham nas furnas do pior dos infernos,
porões tenebrosos dos buques de carga.
O ar a empestado, sufoca; dá nojo
o pó amarelo, pesado, que dança
por cima dos homens que arrancam do bojo
do barco esse enxofre que ao porto se lança.
E o porto, ressoante de silvos, é teatro
de cenas medonhas, protestos, clamores!
Mas como o cargueiro sairá logo às quatro,
prossegue o trabalho dos estivadores.
Gaivotas inquietas esvoaçam à tona
das águas oleosas do estuário parado.
E finda o serviço só quando, com a lona,
se cobre o profundo porão esvaziado.
Mas logo no dia seguinte, de novo
começa o trabalho, com pragas e cantos.
É heróica a existência dos homens do povo,
dos trabalhadores das docas de Santos.
(1910)
Interior, Hesnes, Noruega , 1925
Albert Marquet (França, 1875 – 1947)
óleo sobre tela
Paisagem de Petrópolis, c. 1948
Oswaldo Teixeira (Brasil, 1905 – 1978)
óleo sobre tela, 61 x 75 cm
Mulher lendo no jardim
Georges D’Espagnat (França, 1870 – 1950)
óleo sobre tela, 64 x 80 cm
“Vou morrer, pensou Virgile. E repetiu a frase diversas vezes. O fim estava próximo, ele tinha certeza disso. Um calafrio atravessou-lhe o corpo, da cabeça aos pés. Ele tinha medo da morte, não porque ele não estaria mais por aqui — estava acostumado com o sentimento de ausência do mundo — , mas porque morrer significava tornar-se normal. Cadáveres não têm personalidade. Não era o instinto de sobrevivência, que não suportava a morte, mas um seu espírito de contradição.
Rebaixou a luz e sentou-se no sofá. Seus dedos brincavam pelas asperezas, pelas falhas, pelo desgaste do tecido a circunferência de uma queimadura de cigarro. Ávido por sensações e informações apalpou os objetos a seu redor como Hélène Keller lendo um livro em braile. Tinha vivido sete anos naquele apartamento. Tinha-o marcado assim como o pé transfere sua forma para o sapato. Será que se pode dizer a mesma coisa do mundo? Com nossa morte, será que a matéria do mundo guardará a nossa marca? Será que os átomos conservarão os contornos de nossos pensamentos? Pelo menos, pensava Virgile, o apartamento permaneceria, seus amigos continuaram vivos, seus livros e seus discos seriam adotados por outras pessoas.
Para o jantar, não se voltou para a despensa. Entrou no site do Bon Marché e pediu um verdadeiro banquete, com três garrafas de Mouton-Rotschild. A cesta lhe chegou em meia hora. A qualidade da refeição neutralizou um pouco as suas considerações sombrias. Ouviu seus vinis prediletos. Artistas do mundo inteiro de todas as épocas se sucediam na sala para um ótimo concerto em sua homenagem.
Com uma taça de vinho na mão caminhou pelo seu apartamento de dois cômodos com desejo de tocar em cada centímetro quadrado, para deixar marcada ali sua impressão digital. Os deltas, os cristais, os arcosm as curvas e os turbilhões da polpa de seus dedos se fossilizariam. Nenhuma faxina, nenhuma demolição seria capaz de apagar as provas de sua existência. Sues traços se manteriam impressos na penumbra do infinitamente reduzido, à espera dos arqueólogos que um dia os descobririam. Tinha lido uma reportagem sobre as louças da Antiguidade, que ao serem moldadas em argila, girando, gravavam à sua revelia, como num disco, as palavras pronunciadas durante o trabalho. Seu apartamento guardava milhões de microsulcos contendo seus monólogos e suas conversas.”
Em: Talvez uma história de amor, Martin Page, tradução de Bernardo Ajzenberg, Rio de Janeiro, Editora Rocco: 2009, páginas 18-19.
Ilustração Robert T. Barrett (EUA, 1949).
Rosas
Carlos Oswald (Brasil, 1882 – 1971)
óleo sobre tela, 75 x 92 cm