Pão de Açúcar
Augusto Herkenhoff (Brasil, 1965)
acrílica sobre tela, 50 x 40 cm
Vanitas, com autorretrato [Provável], c. 1618
Clara Peeters (Flandres, 1584 – 1657)
Óleo sobre madeira, 37 x 50 cm
Coleção Particular
Árvore de Jessé, 1499
Absolon Stumme (Ativo na Alemanha, ? –1499)
têmpera e folha de ouro sobre painel de madeira
Museu Nacional de Varsóvia
Interessante programa da BBC, titulado Who do you think you are?, estabeleceu, entre outros assuntos, que uma pessoa nascida na Inglaterra em meados do século XX tem 80% de chance de ter sua ancestralidade conectada até início do século XIII. E que árvores genealógicas estão sempre se interconectando, o que nos permite verificar que no fundo, somos todos parentes.
Quando leio sobre história, tento imaginar o que meus antepassados faziam no século XIV, XVI, ou outros, e fico feliz de ver que houve, através dos séculos, pessoas que sobreviveram até idade de poderem se reproduzir, numa cadeia sequencial inimaginável, chegando a mim, meus pais, meus filhos, às pessoas que conheço. Somos frutos desses bem-aventurados que não morreram de gripe, de pandemia, de doenças na primeira infância. Vinte a trinta por cento de todas as crianças nascidas na Idade Média, morriam antes dos sete anos de idade. Morria-se de tuberculose, de infecções de um corte, de queimadura. Somos frutos de pessoas que não morreram, em guerras, em embates armados, nem de fome ou de frio. Antepassados que não morreram de perseguição religiosa, ou ambientes insalubres, que não morreram nas garras de animais que caçavam e que chegaram aos treze, quatorze, quinze anos saudáveis bastante para ter filhos que por sua vez tiveram sucesso em seu próprio crescimento, e foram capazes de gerar filhos saudáveis que os criaram ou encontraram alguém que os criasse, em sequência, de geração em geração. O índice de mortalidade dos séculos anteriores ao nosso era muito alto.
Somos preciosos. Batemos a morte em sequências que não conhecemos, para chegarmos até aqui.
BBC, artigo, clique aqui.
Casario, Ilha de S. Luiz, Maranhão, 1951
Djanira da Motta e Silva (Brasil, 1914-1979)
óleo sobre tela, 70 x 90 cm
Robe roxo e anêmonas, 1935
Henri Matisse (França, 1869-1954)
Óleo sobre tela, 47 x 60 cm
Museu de Arte de Baltimore
Natureza morta com marinha ao fundo, 1951
José Pancetti (Brasil, 1902 -1958)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
Interior com jovem lendo uma carta, 1661
Gabriel Metsu (Holanda, 1629-1667)
óleo sobre madeira
The Leiden Collection
Marcel Sembat lendo, até 1925
Georgette Agutte (França, 1897-1922)
óleo sobre tela
Museu de Grenoble
“Sentado no banco do jardim, Amaro lê seus poetas.
As folhas da árvore que lhe dá sombra desenham arabescos móveis nas páginas do livro.
O jardim é uma festa. Passa no ar uma borboleta amarela, como uma folha de papel de seda levada pelo vento. Um besouro zumbe em torno dum canteiro. Uma rosa se despetala lentamente e as pétalas rolam para o chão. Há, pelos canteiros, verdes de todos os matizes. As glicínias perfumam o ar. Por entre a relva se arrastam insetos minúsculos de asas coloridas.
Amaro fecha o livro e olha o jardim. …”
Em: Clarissa, Érico Veríssimo, São Paulo, Companhia de Bolso, Companhia das Letras; 2015, p. 97.