Domingo, um passeio no campo!

25 09 2022

Paisagem com canto de praia, 1967

Aldo Bonadei (Brasil, 1905-1974)

Guache sobre papel, 20 X 30 cm





Flores para um sábado perfeito!

24 09 2022

Vaso com flores, 1970

Ettore Federighi (Brasil, 1909-1978)

óleo sobre placa, 50 x 65 cm





Rio de Janeiro, RJ, Brasil

23 09 2022

Praia

Bigio Gerardenghi (Itália, 1876 -Brasil, 1957)

óleo sobre tela, 33 x 38 cm





Um ano de muitas perdas…

21 09 2022

Senhora escrevendo carta, 1680

Frans van Mieris, o velho (Holanda,1635-1681)

Rijksmuseum

Ano difícil este.  2022 tem trazido perdas muito significativas para mim.  Hoje meu coração enlutece de novo.  Sônia Carneiro Leão, amiga desde sempre, foi-se.  Abre-se um grande vazio em minha vida.  Era dessas amigas com quem falamos todos os dias.  Emoções expostas, alegrias, dúvidas, segredos, sonhos e tristezas trocados.

Conheci Sonia na faculdade.  Ela procurava seu segundo diploma, já era advogada formada.  Voltava aos bancos universitários  à procura de maior relevância no dia a dia.  Direito não a satisfazia.  Estudamos história da arte, juntas.  Eu, saí logo depois do segundo ano, quando fui  morar nos Estados Unidos.  Mas continuamos amigas.  Quando os corações se encontram, a gente retém a amizade, não importa a distância. Enquanto eu continuei como historiadora da arte, Sonia, foi atraída à psicanálise.  Seu grande mentor foi nosso professor Magno Machado Dias, de quem Sonia foi assistente, por um tempo, há muito tempo.  E, bem encaminhada, uma intelectual de primeira grandeza, Sonia teve uma vida de conquistas na carreira, grande prática no Rio de Janeiro, aos poucos se especializando em psicanálise de adolescentes e sendo bastante conhecida no campo.  Estudou na Sorbonne, traduziu incontáveis textos do francês para o português e sabia um bocado de inglês, de quando morou nos Estados Unidos, acompanhando sua irmã.  Quando voltei para o Brasil, retomamos nossos encontros semanais. Alguns anos depois, foi morar em Pernambuco, para que o marido, pernambucano, com doença terminal, lá pudesse ter o repouso final.  Mas, Sonia era carioca, crescida em Copacabana na rua Hilário  de Gouveia. Apesar de amar o Recife e sua casa na praia da Boa Viagem, voltou para o Rio de Janeiro porque era aqui que seu coração se sentia confortável. Debateu muito o retorno ao Recife, mas acabou ficando aqui.

 
Sonia Carneiro Leão em 2019

Sempre fomos muito diferentes, as duas. Mais opostas era difícil de achar. Tínhamos opiniões divergentes acirradas, daquelas que de vez em quando passa uma semana sem se falar, porque não entende a outra.  Era mútuo o respeito, no entanto, e voltávamos a nos encontrar logo, sem qualquer limitação.  Nesses últimos anos no Rio de Janeiro, Sonia tornou-se uma companheira constante. Era com ela que fui dezenas e dezenas de vezes às reuniões da Academia Brasileira de Letras, da Academia Carioca de Letras.  Sim, ainda não mencionei que ao longo dos anos Sonia se tornou escritora, (além dos livros de psicanálise).   Poeta e escritora.  Reconhecida.  Livros de poesia, livros para crianças, livros de memórias.  Preparava no momento, livro sobre Santa Terezinha das Rosas.  Foi com ela que Harry e eu íamos com frequência aos concertos da Sala Cecília Meireles, no Municipal, aos sábados à tarde nos saraus de Nelson de Franco no Planetário.  Foi com ela também que íamos a shows ao vivo de musica popular brasileira.  Harry e Sonia se davam bem, tinham papo.  Fizemos um grupo de três ou três e mais um, que se encontrava às terças-feiras à noite, na casa dela ou na nossa, só para conversar sobre literatura e psicologia.  Líamos os clássicos em geral parte dos clássicos para conversarmos sobre arquétipos, interpretações, história cultural.  Harry gostava bastante desses encontros, poucas pessoas que conhecíamos tinham interesses tão próximos aos dele e mesmo depois de ter dificuldade de andar, ainda subia as escadas da cobertura dela, com esforço mas satisfeito para os encontros. Foi com ela, que li Em busca do tempo perdido.  Usamos três línguas, textos em francês, português e inglês.  Gostávamos de comparar.

As memórias que tenho dela são muitas e variadas.  Pela constância de sua presença em minha vida deixará um grande vácuo nos meus dias.  A última comunicação  que tive dela foi domingo.  Mandou um vídeo da música That’s what friends are for, com uma pequena mensagem de despedida.  Chorei muito.  À noite, ainda mandou um alô.  Em menos de quarenta-oito horas faleceu.  O lock down desta pandemia afetou a todos nós.  E afetou muito a essa grande amiga.  Culpo parte de seus problemas no isolamento a que nos submetemos.  Estou muito triste.

©Ladyce West, Rio de Janeiro, 21 de setembro de 2022.





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

21 09 2022

A garrafa verde

Manasses de Andrade (Brasil, 1955-2021)

óleo sobre tela, 73 x 50 cm

 





Domingo, um passeio no campo!

18 09 2022

Paisagem com figura

Gérson Azeredo Coutinho (Brasil, 1900-1967)

óleo sobre tela colada em madeira, 33 X 42 cm





Leituras de 2022: “O pianista da estação”, de Jean-Baptiste Andrea, resenha

17 09 2022

A volta

Jasmine Saintonge (Canadá, contemporânea)

óleo sobre tela, 119 x 76 cm

O pianista da estação ganhou o Gande Prêmio RTL-Lire 2021 [RTL: rede de televisão francesa e Revista Lire].  Este prêmio difere dos outros do país; é dado pelo público: cem leitores escolhidos cada qual por diferentes livreiros, votam na obra vencedora.  Um dos requerimentos entre os competidores  é que sejam autores que não precisam de maior reconhecimento.  Não ficou claro as coordenadas desta última categoria.  Procurei saber sobre essa distinção após a leitura do livro, já que minha opinião contrasta tanto com o galardão concedido.

Trata-se da história de um homem, Joseph Marty, de sessenta e nove anos, que passa a vida tocando pianos públicos em estações de trem, metrô, aeroportos, lugares de passagem. Nômade, sempre em movimento, como se sua própria vida fosse um interminável e contínuo rondó. Qual seria o motivo? Para descobrirmos as razões visitamos o passado do pianista, órfão de ambos os pais aos quinze anos.  Segue-se então mais uma história de órfãos que são  maltratados nos orfanatos, sofrendo física e emocionalmente.  Reconheço que neste momento, tive que decidir se continuaria ou não a leitura. 

Fui leitora assídua minha vida inteira.  Desde os seis anos de idade ler foi meu maior e constante entretenimento.  Criança, adolescente, adulta,  morando aqui no Brasil, e em diferentes países, li.  Como consequência o número de histórias de órfãos que li é incontável da Cinderela à Pequena órfã Annie, de Oliver Twist e David Coperfield a Jane Eyre, Harry Potter, Poliana e outras dezenas mais de clássicos da literatura mundial. As histórias de órfãos têm, comumente, o sofrimento da criança ou adolescente em  primeiro plano.  E o tema logo me pareceu batido, cansativo e não tive curiosidade de ir em frente. Li, o livro inteiro porque foi selecionado pelos leitores de um grupo de leitura a que pertenço.  E usei de muitos subterfúgios para manter meu interesse.  Procurei por orfanatos nos Pirineus, onde a trama se desenrola, viajei via internet por diversos internatos já fechados na área.  A história começa em 1969;  procurei por fotos de  cidades dos Pirineus da década de sessenta.  Enfim, fiz o que pude para manter meu interesse neste livro.

A prosa de Jean-Baptiste Andrea, com tradução de Júlia da Rocha Simões, é suave, competente.  Há bons momentos e posto abaixo passagens me pareceram interessantes. Foram quatorze marcações.

O velho Rothenberg me dava aulas de piano. Ele era mais enrugado que papel amassado – rosto, pescoço e mãos num vertiginoso braille de rugas. Eu queria passá-lo a ferro a cada vez que o via. Mas quando ele tocava. Quando ele tocava, reis magos pegavam a estrada. Princesas exóticas e longínquas eram tomadas de languidez em seus palácios de areia. Até a sra. Rothenberg, uma sombra murcha que cheirava a pétalas e naftalina, voltava a ser a rainha do verão que ele havia seduzido, sessenta anos antes, sob uma nogueira em flor.”

“O ódio, como a oração, se alimenta de silêncio.”

Jean-Baptiste Andrea

 

Tenho outro senão: Joseph Marty passa muito tempo sem tocar piano.  Como, sem  treino algum, sem qualquer dedicação de horas diárias de ensaio, ele consegue tocar com tanta perfeição?  Quem é capaz de pegar e largar qualquer instrumento musical, e fazer uma performance como se  tempo algum houvesse passado?

Este livro não me tocou.  Não me emocionou.  Não é ruim.  Tenho certeza de que muitos leitores não foram expostos a tantos personagens órfãos.  De fato, interessante notar que hoje há muito menos órfãos no mundo do que havia no passado, graças às descobertas médicas e ao cuidado com prevenção de doenças que temos. Acho uma história romântica para corações que gostam de se sensibilizar.  É um livro de passagem. Os  personagens adolescentes passam por situações que eventualmente os tornam adultos. Mas, francamente, achei o tema, o assunto, na fronteira com o lugar-comum.  Duas estrelas de cinco.





Flores para um sábado perfeito!

17 09 2022

Vaso com flores, 1939.

Noêmia Mourão, (Brasil, 1912-1992)

Óleo sobre tela





Rio de Janeiro, RJ, Brasil

16 09 2022

Mosteiro de Santo Antônio, 1937

Milton Dacosta (Brasil, 1915 – 1988)

óleo sobre madeira, 25 x 31 cm.





No trabalho: Carolina Walker

15 09 2022

Penteadeira, Quarto 425, 2018

Caroline Walker (Escócia, 1982)

óleo sobre placa, 43 x 35 cm