Flores para um sábado perfeito!

5 02 2022

Flores na janela, 2012

Maria José Marinho (Brasil, contemporânea)

óleo sobre tela, 40 x 40 cm





Rio de Janeiro, RJ, Brasil

4 02 2022

Vista do meu atelier no Vidigal, 1982

Geraldo Orthof (Áustria-Brasil, 1903 – 1993)

óleo s ibre tela, 73 x 100 cm





Leituras de 2022: Herança, de Miguel Bonnefoy, resenha

3 02 2022

Mulher descansada, 2009

Lole Ferrada Sullivan (Chile, 1962)

 

Cheguei ao livro Herança, de Miguel Bonnefoy (tradução de Arnaldo Bloch) com boas expectativas.  Recebeu o Prix des Librairies, em 2021, na França, que já premiara autores que vim a admirar.  Francês, conectado com a América Latina, terra de nascimento de seus pais, e já tendo dois livros premiados, Miguel Bonnefoy parece a voz certa para para abordar cem anos de história de uma família francesa, imigrante para o Chile, como a sinopse relata.  Enredo promissor, que começa e finda na França, nos traz uma variante das histórias de imigrantes. Estamos acostumados a saber daqueles que se estabelecem na França vindos de outras culturas;  pouco se retrata o francês que saiu para novas terras ou antigas colônias.

Miguel Bonnefoy conta as aventuras e valores das gerações de Lonsoniers que sobrevivem e prosperam no Chile de 1873 a 1973. Retrata também a dualidade de identidades que permeia o coração dessas pessoas que herdam culturalmente a identidade europeia, ainda que vivam em outra terra forjando nova identidade ao sul do Equador.  Essa conhecida dualidade de sentimentos vem à tona diversas vezes durante a saga da família, em diferentes gerações, começando com a primeira geração pós imigração, que se vê obrigada a ir lutar no front da Primeira Guerra Mundial. Mais tarde, outras pessoas irão também se ver abraçadas por essa herança cultural que a cidadania francesa lhes traz, ainda que tenham o Chile como lugar onde vivem e prosperam. Através de décadas todos os descendentes dos Lonsoniers mantêm essa dualidade.

 

 

Tenho dois senões quanto à obra.  O primeiro tem a ver com a herança literária deixada por de Gabriel Garcia Márquez para dezenas de escritores latino-americanos que insistem em trabalhar no realismo mágico do autor colombiano e sistematicamente deixam a desejar nas suas narrativas. Só há um Gabo.  Só houve um Gabo, fenomenal, com grande facilidade de nos levar através de sua mágica a Macondo e seus habitantes. Cem anos de solidão é considerado o segundo mais importante livro da literatura hispânica, tendo Don Quixote de La Mancha, em primeiro lugar. Parte de sua importância está justamente no entrelace de realidade e sonho; na habilidade de seduzir o leitor que passa a não questionar o irreal.  Miguel Bonnefoy, claramente admira a escrita de Márquez.  Como sabemos disso?  Graças ao aforismo criado por Charles C. Colton, escritor inglês de temperamento excêntrico que  enunciou: “a imitação é a mais sincera forma de elogio” [Imitation is the sincerest form of flattery]. Esta observação foi mais tarde revista por Oscar Wilde, que a completou, “a imitação é a mais sincera forma de elogio que a mediocridade pode prestar” [Imitation is the sincerest form of flattery that mediocrity can pay to greatness]. Miguel Bonnefoy não é medíocre. É um bom escritor.  Tem ritmo, assunto e ideias que merecem melhor tratamento.  Ele diminui sua escrita e criatividade ao se prender a um estilo que não é seu.  Gostaria de ver a mesma obra, contada à maneira de Bonnefoy e não ao modo de Gabo.

 

Miguel Bonnefoy

 

 

O segundo ponto que ressalto tem a ver com o as duas diferentes narrativas encontradas no livro.  Há a que pode ser mais facilmente chamada de realismo mágico que se desenvolve aos poucos, desde o primeiro capítulo, chegando a um ponto máximo nas gerações seguintes, até a última, a geração de Ilario Da.  Nesta fase, temos personagens com paixões, com idiossincrasias, com excessos, repletas de mistério sobre o que fazem, o que colecionam, o que pensam e seguimos de surpresa em surpresa, sem chegar a maior profundidade sobre o que os leva às ações, aos sentimentos e comportamentos exóticos que os Lonsoniers demonstram.  Mas, subitamente, deixa-se de lado a mágica, o sonho, a poesia para entrar numa narrativa realista extremamente detalhada de todos os males da ditadura chilena de Augusto Pinochet.  É uma virada artificial na voz narrativa do livro, que parece encomendada para ter sucesso nos meios políticos apoiados pelo autor.  Há uma traição, pode-se dizer, daquele leitor que apesar de ter reserva com a imitação a Gabriel Garcia Márquez, a aceita e está próximo de levar a cabo a leitura, para de repente, se ver preso nos abusos realistas, nas torturas, no dia a dia dos subterrâneos que escondem os agravos de governos ditatoriais, de qualquer naipe que sejam, neste caso na ditadura de Pinochet.  Esse novo caminho da história contada, surpreende, desagrada e mostra que Miguel Bonnefoy se rendeu aos ditames do “politicamente correto”  empobrecendo em muito o que até então havia sido uma narrativa charmosa ainda que imitativa.

Pena.  Este tem todo o jeito de ser um livro que cairá no agrado de  muitos leitores.  Não posso recomendar sem essas ressalvas.

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Imagem de leitura — Arthur Ernst Becher

1 02 2022

Moça lendo em canoa, c. 1910

Arthur Ernst Becher (EUA, 1877- 1960)

aquarela, 20 x 27 cm





Leituras de 2022: Primeiros contos, Truman Capote, resenha

30 01 2022

Dia de chuva

Josephine Miles Lewis (EUA, 1865 – 1959)

 

Acho que foi um erro começar meu relacionamento com Truman Capote através desses Primeiros Contos, com tradução de Clóvis Marques.  Conhecido por sua obra À sangue frio, também escreveu outros textos adaptados para o cinema como Bonequinha de luxo (Breakfast at Tiffany’s) além de scripts para o teatro ou scripts feitos diretamente para filmes.  Nunca havia lido nada dele.  Mas neste Natal recebi de presente este livro de contos, seus primeiros, que só foram publicados depois de seus sucessos, quando redescobertos nos arquivos da Biblioteca Pública de Nova York.

Acredito que essas histórias escritas na adolescência e no início da idade adulta teriam mais interesse para o estudioso da obra de Capote, do que alguém, como eu, que gostaria de se familiarizar com o autor.  Essas histórias são bem escritas.  Parecem todas perfis de personagens interessantes, talvez para uso futuro.  É provável que tenham tido origem em pessoas que o autor conheceu, vizinhos, pessoas da cidade onde cresceu. 

 

Falta em muitas dessas narrativas conflitos interessantes levando a resoluções ou não de alguma questão. A mim pareceu um catálogo de personagens, com belas descrições de caráter e de hábitos peculiares.  Capote demonstra compaixão e empatia pelos tipos que descreve. E apesar de ser bastante detalhista nas descrições, sua destreza no contar de histórias (que parece herança da tradição oral comum no sul dos EUA) não chegam a interromper o fluxo narrativo, nem distrair o leitor.

Truman Capote

Voltarei a me familiarizar com a obra de Capote.  Certamente essas primeiras histórias tenho certeza não poderiam ser representativas de sua obra madura. Por enquanto não posso dizer que conheço seu trabalho e nem mesmo se gostei de suas observações.

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Em casa: Paul Gauguin

30 01 2022

Retrato de Madame Gauguin, 1880

[A Bordadeira]

Paul Gauguin (França, 1848 -1903)

óleo sobre tela, 116 x 81 cm

Fundação E.G. Bührle, Zurique





Flores para um sábado perfeito!

29 01 2022

Vaso de flores, 1949

Helena Ohashi (Brasil, 1897 – 1966)

óleo sobre tela colada em eucatex, 55 x 70 cm





Rio de Janeiro, RJ, Brasil

28 01 2022

No mar estava escrita uma cidade

Copacabana com monumento a Carlos Drummond de Andrade

Sérgio Piancó (Brasil, contemporâneo)





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

26 01 2022

Natureza morta, 1962

Maria Leontina (Brasil, 1917-1984)

óleo sobre placa, 30 x 46 cm





Em casa: Annie Rose Laing

23 01 2022

Café da manhã

Annie Rose Laing (Escócia, 1869 -1946)

óleo sobre tela, 68 x 58 cm

Coleção Particular