Jovem mulher lendo no ateliê, 1901
David Oyens (Holanda, 1842-1902)
óleo sobre tela, 80 x 75 cm
“O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive.”
Padre Antônio Vieira
Jovem mulher lendo no ateliê, 1901
David Oyens (Holanda, 1842-1902)
óleo sobre tela, 80 x 75 cm
Padre Antônio Vieira
Leitura na praia
Flora Merleau (França, 1975)
acrílica (?), 80 x 65 cm
A leitura
Félix Mestres y Borrel (Espanha, 1872 – 1933)
Óleo sobre tela, 88 x 50 cm
Eve, 2012
Patricia Schappler (EUA, contemporânea)
carvão, grafite e colagem, 156 x 118 cm
“O senhor disse, faz tempo, que se todas as épocas têm sua questão filosófica central, na nossa época essa questão será o renascimento da religião como política. E assim o senhor começou a relacionar o Islã radical e sua sexualidade bizarra com o ódio ao corpo, o corpo queimado na automorte sacrificial. Esse é um gesto da mais profunda submissão. Sabemos que o Ocidente tentou, nos anos 1960, remover o pai, autoritário ou não. Foi assim que acabamos, como o senhor apontou muitas vezes e com grande proveito, com uma cultura de mães solteiras. […]
‘O pai — como sempre fazem os pais — voltou ou na forma de gângster, como em O poderoso chefão e no seu predileto Os Sopranos, ou na forma de autoridade religiosa. Existe também a tentativa do pai de excluir, quando não pisotear, a sexualidade. Pelo menos nos outros. […]
Em: A última palavra, Hanif Kureishi, tradução de Rubens Figueiredo, São Paulo, Cia das Letras:2016, p. 211
Bela senhora de kimono
Kasyou Takabatake (Japão, 1888 – 1966)
O tradutor americano Dan Bradley publicou na revista GRANTA uma lista de obras japonesas que ele recomenda para leitura nas suas férias de verão. Como todos sabem por aqui, adoro listas de livros porque estou sempre à procura de um bom livro de uma boa semana de leituras. Assim sendo, passo logo a listar por aqui as obras que ele mencionou e que já se encontram traduzidas para o português. Literatura japonesa tem sido objeto de interesse para mim. É um amor maduro. Descobri-a graças a amigos leitores, e não tenho nenhum conhecimento formal da história da literatura japonesa. Mas diria que tenho lido sistematicamente uns 4 a 5 livros japoneses por ano.
1 — O homem que passeia, de Jiro Taniguchi, Editora Devir: 2017

Com desenhos de Taniguchi e roteiro de Masayuki Kusumi (o mesmo roteirista de “Gourmet”), “O homem que passeia” é formado por oito passeios de um mesmo homem por sua cidade japonesa. O quinto passeio, “Os pepinos amargos no meio da noite”, é bem emblemático da maneira taniguchiana de pensar a (ou passear pela) vida. Começa com uma visita à casa de um amigo, que termina às 3 da madrugada. Nosso querido passeador resolve voltar para casa a pé, caminhada que levará uma hora e quinze minutos. Há algum suspense no ar: pepinos amargos e a travessia de ruas desertas. Mas nada de ruim acontece. Apenas reflexões ambulantes sobre a cidade que dorme e o amigo que acaba de se separar da mulher. Tudo menos dramático que o som do mergulho de uma rã ou o movimento sutil do pousar de uma borboleta em haiku mais que perfeito e tranquilo. Essas qualidades de Taniguchi, mais sua sensibilidade diante daquilo que existe de poesia na banalidade do cotidiano (tanto na natureza quanto na cidade), já produziram uma legião de admiradores para sua obra, como o cineasta belga Sam Garbarski, que levou para as telas – em 2010 – um de seus mangás, Bairro Distante.
2 — Opus, Satoshi Kon, Editora Panini: 2017

Antes de se tornar um dos diretores de animes mais conceituados, Satoshi Kon trabalhou com mangás. Opus é da década de 90. Com roteiro e arte dele, mistura elementos de realidade e imaginação, de sonho, podemos dizer. Os fãs de filmes como Perfect Blue e Paprika perceberão o traço marcante, lembrando o mestre Katsushiro Otomo, de Akira (mangá no qual Kon trabalhou), e a tensão vivida pelos personagens, em enquadramentos de tirar o fôlego. Há também uma metalinguagem com o universo dos mangás levada às ultimas consequências. A Panini acaba de lançar o primeiro volume de dois. Opus é uma joia escondida nas bancas.
3 — O país das neves, Yasunari Kawabata, Estação Liberdade: 2004

Neste livro, de grande repercussão no Japão e no exterior (inclusive com adaptações para o cinema), Kawabata expõe a densidade e as contradições das relações humanas por meio do encontro entre Shimamura, um culto senhor de posses, Komako, uma gueixa das montanhas, e Yoko, uma bela jovem provinciana, trazendo ao leitor um texto comovente e lírico ao extremo. Em vez de provocantes paixões, o desperdício do amor e o sacrifício pessoal dos personagens conduzem-nos a uma atmosfera gélida, com pinceladas de forte afetividade, em que o branco da neve e o frio penetrante contribuem para dar o tom melancólico da narrativa. Não à toa: a estação termal de Yusawa, que o escritor visitou pela primeira vez em 1934, serviu de inspiração para a criação do cenário onde a história se passa.
Outros escritores mencionados por ele não têm as obras em tradução, mas a maioria tem outras outras obras em português. Eles são: Yoko Ogawa, Hiromi Kawakami, Ryu Murakami, Hideo Yokoyama e Alex Kerr.
Está na hora de começarmos a planejar as leituras de verão.
Menina com seu livro, 1885
Jules Emile Saintin (França, 1829-1894)
Pastel, 40 x 31 cm
Hilary lendo com Cyrus
Arne Westerman (EUA, contemporâneo)
acrílica sobre tela
“Especialmente quando se é jovem, deve-se ler o maior número possível de livros. Os excelentes, os não tão excelentes e até aqueles insignificantes, que não têm (nenhum) problema. O importante é ler tudo o que estiver ao alcance. Fazer passar pelo corpo o máximo de narrativas possíveis. Encontrar textos maravilhosos e outros de menor qualidade. Passar por essas experiências é o mais importante. Corresponde a criar a bagagem indispensável para um romancista. Recomendo focar nessa etapa enquanto ainda se tem uma visão boa e tempo de sobra. Escrever também deve ser importante, mas tenho a impressão de que deve ser deixado para mais tarde, que não vai haver nenhum problema.
Em seguida — provavelmente antes de começar a escrever de fato — acho que é importante adquirir o hábito de observar detalhadamente os acontecimentos e fenômenos à sua frente. Olhar com cuidado e atenção as pessoas, enfim, tudo à volta. E refletir sobre tudo. Falei “refletir”, mas não há necessidade de julgar as coisas, avaliar se estão corretas ou não. As conclusões devem ser deixadas pendentes, e adiadas pelo maior tempo possível. O importante não é chegar a uma conclusão, mas manter na mente a imagem nítida das coisas do jeito que são, da forma mais próxima possível da realidade, para que sirvam de material.”
Em: Romancista como vocação, Haruki Murakami, tradução: Eunice Suenaga, Alfaguara: 2017, p.64.
Miosótis, 1886
Gabriel Schachinger (Alemanha, 1850-1913)
óleo sobre tela
Descanso da bailarina
Xavier Blanch i Pla (Espanha, 1918 – 1999)
óleo sobre tela, 61 x 50 cm
Coleção Particular
Mimi na cadeira de bordo, 1927
Frank Frigyes (Hungria, 1890–1976)
óleo sobre tela