Segunda leitura completa de 2026

8 01 2026

 

Uma das minhas decisões para o novo ano: ler alguns livros que já havia comprado e que por qualquer razão foram colocados para depois e para depois e assim por diante.  Bela surpresa me esperava.  Zen na Arte da Escrita, de Ray Bradbury, autor do conhecido clássico do século XX, Fahrenheit 451 e também das Crônicas marcianas, é uma bela coleção de onze ensaios sobre a escrita.  Nesse pequeno livro de 160 páginas, publicado em 2020, pela Biblioteca Azul, aqui no Rio de Janeiro, com tradução de Petê Rissatti, o leitor tem a oportunidade de conhecer o processo da escrita de Bradbury, sua simplicidade, seus pequenos truques para chegar a um texto vendável, sua sensibilidade e comprometimento com a profissão a que se dedicara. 

Não é um guia, um manual para a escrita. Mas testemunhando o que ele fez, seu processo de escolha e preocupação com temas e principalmente com sua habilidade de deixar-se levar pelo processo criativo, sem saber ao certo como chegar ao ponto desejado é fascinante e estranhamente sedutor para todos nós que nos dedicamos à comunicação de nossas histórias.

O entusiasmo do autor, a alegria de escrever são pontos constantes nesses capítulos independentes.  Vemos também o quanto o exercício da curiosidade é condição imprescindível para uma boa história. Mas além disso, deu-me vontade de ler mais de seu trabalho. Ficou muito famoso pelos dois livros citados acima, mas sua produção é enorme, de contos, novelas, romances e até mesmo poesia.  Foi um tiro certeiro cobrir esse livro no início do ano.  Recomendo a leitura, não só por aqueles que escrevem, mas também por quem tenha curiosidade de abrir uma janela sobre o processo criativo de um dos mais produtivos escritores do século XX. 

Meu livro está rabiscadíssimo com passagens sublinhadas, anotações nas margens e desde o início da semana passada já me coloquei com caneta e papel na mão tentando imitar alguns de seus métodos para desenvolvimento da prosa.  Serei boa aluna?  Veremos.  Mas se não conseguir, não será por falta de um excelente mestre.