Passagem do Carmo – Rio, 1979
Pedro Nascimento (Brasil, 1927-1986)
óleo sobre tela, 60 X 30 cm
Alain Bosquet
(1919-1998)
Três idades da mulher, 1905
Gustav Klimt (Áustria, 1862-1908)
óleo sobre tela, 180 x 180 cm
Galeria Nacional de Arte Moderna e Contemporânea, Roma
Manuel Bandeira
A vez primeira que te vi,
Era eu menino e tu menina.
Sorrias tanto… Havia em ti
Graça de instinto, airosa e fina.
Eras pequena, eras franzina…
A ver-te, a rir numa gavota,
Meu coração entristeceu
Por que? Relembro, nota a nota,
Essa ária como enterneceu
O meu olhar cheio do teu.
Quando te vi segunda vez,
Já eras moça, e com que encanto
A adolescência em ti se fez!
Flor e botão… Sorrias tanto…
E o teu sorriso foi meu pranto…
Já eras moça… Eu, um menino…
Como contar-te o que passei?
Seguiste alegre o teu destino…
Em pobres versos te chorei
Teu caro nome abençoei.
Vejo-te agora. Oito anos faz,
Oito anos faz que não te via…
Quanta mudança o tempo traz
Em sua atroz monotonia!
Que é do teu riso de alegria?
Foi bem cruel o teu desgosto.
Essa tristeza é que diz…
Ele marcou sobre o teu rosto
A imperecível cicatriz:
És triste até quando sorris…
Porém teu vulto conservou
A mesma graça ingênua e fina…
A desventura te afeiçoou
À tua imagem de menina.
E estás delgada, estás franzina…
Em: Estrela da Vida Inteira- poesias reunidas, Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, José Olympio: 1979, pp 27-28.
Natureza Morta, 1956
Ione Saldanha (Brasil, 1919-2001)
óleo sobre tela, 50 x 65 cm
Vaso com flores e frutas
Lúcio Cardoso (Brasil, 1912-1968)
óleo sobre tela, 65 x 92 cm
Árvore de sinais (faróis) de trânsito, 1998
Pierre Vivant (França, 1932)
8 metros de altura com 75 sinais de trânsito
Local: Londres
Ala do Jardim de Luxemburgo, 1886
Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)
óleo sobre tela, 27 x 46 cm
Clark Art Institute, Williamstown, Mass
“Minha residência ficava na rua Toullier, próximo ao Luxemburgo, para onde onde fui assim que pude no dia seguinte. Fiquei decepcionado. Levei muitos anos para perceber a beleza daquele jardim incomparável e a magnitude de seu planejamento. Naquele momento, parecia-me muito mais amplo e menos íntimo do que o Jardim do Rei, da minha ilha nativa. Quanto aos monumentos, de tamanhos tão grandes, pareciam me dominar e esmagar.”
(Tradução Ladyce West)
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Em: Recollections of a Picture Dealer, Ambroise Vollard, Dover Fine Art, History of Art, 2011, edição eletrônica, sem menção do tradutor do francês para o inglês.
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Ambroise Vollard foi um dos galeristas mais importantes de Paris do final do século XIX. Representou, conheceu, foi amigo e esteve envolvido com Renoir, Forain, Degas, Redon, Rodin, Cézanne, Rouault, Bonnard, Picasso, Manet, Matisse, de Groux, Signac, Rousseau, e ainda esteve em contato com Gertrude Stein, Alfred Jarry, Guillaume Apollinaire, Mallarmé, e Zola. Natural da Ilha de Réunion, neste parágrafo, no início de suas memórias ele mostra para nós como, quando viajamos, por mais que se conheça a história, a cultura, sempre usamos nossos próprios vieses ao observar o novo, aquilo que nos é estranho. É particularmente reveladora, essa passagem, porque a Ilha de Réunion, é francesa até os dias de hoje, portanto, ele tinha como referência só a visão de alguém da província.
Paisagem de Ouro Preto,1958
Alberto da Veiga Guignard (Brasil, 1896-1962)
óleo sobre madeira, 42 x 50 cm
A garoa é ouro fino
das arcas celestiais
que desce em fluido divino
na terra dos cafezais …
(Durval Mendonça)