Auto-retrato, 1795
Louis-Léopold Boilly (França, 1761-1845)
óleo sobre tela
Museu de Belas Artes de Lille
Auto-retrato, 1795
Louis-Léopold Boilly (França, 1761-1845)
óleo sobre tela
Museu de Belas Artes de Lille
À janela
Laurits Tuxen (Dinamarca, 1853-1927)
óleo sobre tela
Reynaldo Valinho Alvarez
Da janela, na chuva, alguém procura
achar sua alma irmã na noite escura,
Na tuba enferrujada, desafina
o músico esquecido numa esquina.
O incêndio esconde o palco todo em fumo
e o mágico, aturdido, perde o rumo.
Entre gavião e pombo, uma vidraça
frustra o golpe mortal e se estilhaça.
As ondas que se quebram contra o dique
refluem sobre si e vão a pique.
Se a parábola volta, é que, na certa,
não a colheu a mente astuta e alerta.
A carta, na garrafa que se alaga,
o mar a lê, a leva, lava e apaga.
O canto do poeta é coisa vã
se o sol canta por si, toda manhã.
Em: A faca pelo fio: poemas reunidos, Reynaldo Valinho Alvarez, Rio de Janeiro, Imago: 1999, p.11
Um momento de silêncio
Oreste Cortazzo (Itália, 1836 – 1910)
óleo sobre tela
Vaso com flores
Wilma Sedys (Brasil, 1934)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
Paisagem do Rio de Janeiro, 1938
Leopoldo Gotuzzo (Brasil, 1887 – 1983)
óleo sore tela, 27 x 22 cm
O espelho de tartaruga, 1903
George Henry (Escócia, 1858 – 1943)
óleo
The Paisley Art Institute, Paisley, Escócia
Cecília Meireles
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
– Em que espelho ficou perdida
a minha face?
Em: Antologia Poética, Cecília Meireles. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2001.
Sala dos brasões, Palácio Nacional de Sintra
“As genealogias tradicionais portuguesas, todas dos séculos XIII e XIV, o Livro Velho de Linhagens, o Livro de Linhagens do Deão e o Nobiliário do conde d. Pedro, deduzem a origem da nobreza de Portugal a partir de meia dúzia de famílias, velhas então de dois ou trÇes séculos; as investigações, hoje em dia, de José Mattoso revelam, nos século X e XI, alguns poucos mais troncos familiares, de modo que podemos supor que a classe dominante de Portugal, no século XI, cristalizou-se em boa parte à volta de um grupo de não mais que cem indivíduos que viviam no antigo Condado Portucalense (ou junto às suas fronteiras), entre o Douro e o Minho, e sobretudo nos arredores do Porto.
Pulemos uns séculos. Thales de Azevedo estima em 1.200.000 indivíduos a população portuguesa em 1530, quando começam a exploração e colonização sistemáticas do Brasil. Destes, 20% eram judeus ou cristãos-novos, alguns provindos de Castela e da Andaluzia, expulsos em 1492 pelos reis católicos, mas o restante autóctones (ou pelo menos residindo na região lusitana da península desde o tempo dos visigodos). A elite, no começo do século XVI, era pequena: qualitativamente, víamos no seu topo o rei e sua família imediata, os infantes; depois, a família real extensa, que incluía os duques de Bragança e de Vizeu, bastardos reais, e mais a respectiva parentela. Seguiam-se uma dúzia de titulados, como os condes de Marialva, de Atouguia ou de Vila Real, e o barão de Alvito, e o resto da nobreza, sem título, até, na base deste grupo que formava a elite, as duas ordens de fidalgos da casa real (ordem que conferia nobreza hereditária), e os cavaleiros fidalgos, escudeiros fidalgos e moços de câmara da casa real (ordem que conferia apenas um foro pessoal, sem caráter hereditário). Se juntarmos a estes os grandes comerciantes de Lisboa e do Porto, e mais os letrados e bacharéis sem origem fidalga que serviam à máquina judiciária, e ainda alguns poucos funcionários administrativos, teremos que a classe dominante portuguesa, por volta de 1530, era constituída de 10.000 indivíduos.”
Em: Herdeiros do poder, Francisco Antonio Doria, e outros, Rio de Janeiro, Revan: 1994, pp 20-21
A carta
Charles Baugniet (Bélgica, 1814 -1886)
óleo
Meninas lendo
Rowland Davidson (Irlanda, 1942)
acrílica sobre tela, 45 x 35 cm