Eu vou pra beira do mar, poesia de Luiz Peixoto

2 06 2020

 

 

Hugo Adami. Paisagem praiana, óleo sobre tela, med. 60 x 80 cm, assinado c.i.direito. Pílade Francisco Hugo AdamiPaisagem praiana

Hugo Adami (Brasil, 1899 — 1999)

óleo sobre tela,  60 x 80 cm

 

 

Eu vou pra beira do mar

 

Luiz Peixoto

 

Eu vou pra beira do mar

esperar uma sereia,

que canta as canções do Vento,

que canta as canções do Mar.

 

Em noite de lua-cheia,

com ela vou me casar.

 

No leito branco da areia,

com ela vou me deitar.

 

E todo o amor que incendeia

meu coração vou lhe dar.

 

Quando a última candeia

das estrelas se apagar,

bem sei que ela irá embora,

mas um dia há de voltar.

 

As sereias vão e voltam,

São como as ondas do mar…

 

Em: Poesia de Luiz Peixoto, Rio de Janeiro, Editora Brasil-América:1964, p. 96





Resenha: A maçã envenenada, Michel Laub

1 06 2020

 

 

LUNIAK-Monika-7Leitura

Monika Luniak (Alemanha, contemporânea)

óleo sobre tela

 

Há escritores que surpreendem com a justaposição de eventos que escolhem para nos revelar a trama de um romance. Com isso mostram sua maneira de pensar, como retêm o que veem, a essência do que os preocupa. Formam uma colcha de retalhos que os leva  à sabedoria, à lição do que observaram.  Fora do Brasil, Julian Barnes é um escritor que seduz com similaridades que descobre em coisas aparentemente assimétricas. Este tipo de narrativa faz parte do charme da prata da casa, o escritor brasileiro Michel Laub.  Seguir paralelos que não apresentam conexão imediata é um dos prazeres de seus livros e de A maçã envenenada.

Narrado na primeira pessoa, o personagem, jornalista de quarenta anos,  procura respostas, para entender o motivo do suicídio de sua primeira namorada, Valéria. Oscilando entre dois eventos que, justapostos, o intrigam: o suicídio do músico Kurt Cobain e a entrevista de Immaculée Ilibagiza, sobrevivente do genocídio de Ruanda ele transita entre essas duas forças cujo ponto em comum é a preservação ou não da própria vida. Há,  de um lado, um cantor, compositor, músico de sucesso,  admirado no mundo inteiro, ídolo de uma geração, que despreza a vida e se suicida.  De outro está a jovem africana, desconhecida e pobre, feita heroína pelas circunstâncias, porque preza a vida a ponto de sobreviver nas piores condições imagináveis, por um longo tempo. É no equilíbrio entre essas duas forças que o jornalista encontra o caminho da ponderação sobre eventos e sentimentos.

 

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Fragmentos  da letra Drain me, de Kurt Cobain, são usadas, para titular duas partes da narrativa.  ‘A não ser que seja sobre mim’  [I don’t care what you think unless it is about me], apropriada para descrever a narcisista Valéria, e ‘Que sorte ter encontrado você’, ironicamente, aplicável ao nosso narrador [One baby to another says: I’m lucky I’ve met you]. Enquanto o título A maçã envenenada continua a referência à letra da música de Kurt Cobain, é usado  em contraposição,  [You’ve taught me everything without a poison apple]; pois o suicídio de Valéria é de fato verdadeira maçã envenenada para o homem maduro que revive a juventude, em busca do significado do suicídio de Valéria.

Ainda que estas referências sejam óbvias, a mim, a procura do protagonista e sua conclusão sobre o que é o suicídio, o que significou o suicídio de Valéria e o efeito que tem sobre os que estão à volta de quem o comete,  lembrou duas conhecidas frases do escritor Patrick Ness “Nós somos as escolhas que fazemos” do livro The Knife of Never Letting Go e “Dizer que você não teve escolha é omitir sua responsabilidade”, do livro Monsters of Men.

 

fotografia-do-editorial-mondadori-do-escritor-brasileiro-michel-laub-1364849951116_300x420Michel Laub

 

Este é o terceiro livro de Laub que leio.  Ainda que seja parte de uma trilogia pode  ser lido separadamente.  Com ele termino o grupo.  Para mim, dos três, o livro imperdível é Diário da Queda, que me encantou e comoveu. É o mais emotivo dos três, revelando, com genuína delicadeza, a fragilidade do narrador.  Depois, a Maçã envenenada, que trabalha o texto de uma forma mais intelectual, com emoções menos explícitas e por fim O tribunal da quinta-feira, cuja óbvia dor psicológica do personagem principal é transmitida com ironia e distanciamento.  De qualquer jeito, recomendo a leitura dos três livros em qualquer ordem que você queira colocá-los.

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.

 





Natureza maravilhosa: barbete do Kênia

1 06 2020

 

 

red and yellow barbet kenya

 

Barbete vermelho e amarelo do Kênia( Trachyphonus erythrocephalus ) é um pássaro encontrado na África oriental.  Sua plumas parecem fazer desenho de bolinhas brancas sobre fundo negro, papo amarelo e cabeça vermelha. Machos e fêmeas têm o mesmo desenho, mas nas fêmeas as cores são menos fortes.  Eles se alimentam de sementes, frutas e invertebrados.