Eu, pintor: Louis Anquetin

16 04 2020

 

 

 

Louis Anquetin (1861-1932)Autoportrait au chevalet, huile sur panneau, 22 x 15.8 cmPeint vers 1892Autorretrato com cavalete, 1892

Louis Anquetin (França, 1861-1932)

óleo sobre tela,  22 x 15 cm





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

15 04 2020

 

 

FERNANDO P. (1917-2005). Frutos, Jarro de Flores, Garrafas e Cesto de Peixes sobre a Mesa, óleo s tela, 46 x 61. Assinado no c.i.d.Natureza morta

Fernando P. (Brasil, 1917- 2005)

óleo sobre tela, 81 x 65 cm





Resenha: “Assombrações” de Domenico Starnone

14 04 2020

 

 

 

boy and old manCartão postal, menino napolitano com senhor músico.

 

 

Seria muito fácil brincar com o título do livro de Domenino Starnone, notando que depois de Assombrações, [tradução de Maurício Santana Dias]  não conseguimos escapar das fugidias memórias que nos assombram depois  a leitura.  Obra certa, na hora certa? Talvez.  Faz mais de um ano e vira-volta eu me encontro pensando numa ou noutra imagem que ele me proporcionou.

A história é simples. Um desenhista, ilustrador de livros, Daniele Malarico, de setenta anos, deixa Milão onde mora,  no norte da Itália, para passar um fim de semana em Nápoles, sua cidade natal. Vai com uma tarefa: cuidar do neto, Mario.  Filha e genro não estão disponíveis e têm um casamento em perigo. A tarefa não lhe agrada, mas sente um quê de responsabilidade,  ou sua filha não poderia tê-lo convencido a fazer isso.  A perspectiva de rever a casa onde cresceu, que é agora habitada pela filha, marido e neto, não é sedutora;  deixou-a para trás há muito tempo.

 

ASSOMBRACOES_1536956772809910SK1536956772B

 

Lá pela década de quarenta do século passado Thomas Wolfe  avisava You can’t go home again.  O lugar onde crescemos e vivemos nos primeiros anos de vida, não é o mesmo que carregamos dentro de nós adultos.  Nunca foi.  Nunca será.  O que dele lembramos não é o que outros veem, não é o que muitos percebem. O contraste entre o homem  de hoje e o de ontem traz lembranças que assustam, assombrações que nos mantêm desconfortáveis.

Daniele visita a casa natal depois de passar a vida tentando esquecê-la e os segredos que ali viviam. Ambição, criatividade e a inevitável vontade de ser o que acredita ser seu destino o levaram para longe e para a sublimação do passado.  Simultaneamente está se tornando consciente a cada dia da velhice, do corpo que não mais reflete o que foi, o adulto de sucesso. Num fim de semana, confinado na casa da infância contempla no neto, menino irritante e importuno, sua própria infância.  Há que confrontar finalmente o menino que foi e que traz dentro de si. Há que confrontar os fantasmas do passado.  As assombrações que o aterrorizam.

…Depois aquela fase passou, mas agora eu tinha mais mortos na memória do que na infância — quantos conhecidos e amigos meus haviam partido depois de terríveis doenças –, e  mesmo as angústias se centuplicaram, tanto que às vezes, em Milão,  eu acordava de chofre, certo de que ladrões e assassinos estavam na minha casa, e perambulava insone pelos cômodos, estremecendo quando um reflexo de luz projetava na parede a folhagem móvel das árvores do pátio como se fosse uma presença feroz. O que é que me preocupa — disse a mim mesmo — mais do que ansioso, eu deveria estar melancólico: já vivi grande parte da vida e agora eu mesmo me aproximo da hora da morte, caberá a Mario me descobrir atrás de uma porta ou nos cantos escuros da casa. Quantas aparências o cérebro era capaz de por em órbita com seu circuito de emoções.  O menino não tinha medo do escuro, mas, depois daquele nosso convívio, talvez ele temesse minhas aparições.”  [88]

 

domeninco starnoneDomenico Starnone

 

Em Assombrações Daniele Malarico trabalha nas ilustrações de um conto de Henry James,  The Jolly Corner.  No final do livro acompanhamos as notas que Danielle faz para si mesmo, uma espécie de diário das ilustrações, das considerações que faz ao longo do trabalho.  No entanto, não ficamos sabendo do conteúdo da obra ilustrada. Não é gratuita aparição deste conto de Henry James.  The Jolly Corner é uma das histórias de fantasmas mais conhecidas de  Henry James.  Ela descreve a visita que um homem faz à sua casa natal em  Nova York depois de trinta e três anos de ausência. Ao visitá-la pondera sobre a escolha profissional que fez, e é obrigado a considerar quem poderia ter sido, caso tivesse escolhido outro destino.

Sutil, este pequeno romance, com menos de duzentas páginas, é rico em sabedoria. Numa quase meditação é uma obra que fica entranhada na alma do leitor.  Bela prosa e desenvolvimento do tema.  Vale a leitura.

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Livros de ficção em que o tema é arte, uma lista para tempos de ficar em casa

13 04 2020

 

 

 

Michael Van Alphen (1840-) Senhora lendo na sala de quadros, 1870, 46 x 39 cmSenhora lendo na sala de quadros, 1870

Michael Van Alphen (1840-)

óleo sobre tela, 46 x 39 cm

 

A revista da casa de leilões Christie’s sugere uma lista de leituras, romances em que a arte faz parte do tema.  Caso o assunto lhe interesse, aqui vai a lista do que foi publicado no Brasil.

1 — O livro das evidências,  John Banville

2 — O pintassilgo, Donna Tart

3 — Moça com brinco de pérola, Tracy Chevalier

4 — A improbabilidade do amor, Hannah Rothschild

Dos dez livros mencionados só estes quatro acima aparecem com traduções para o português e estão atualmente no mercado brasileiro.  Os outros seis listo abaixo em inglês.

5 — What’s Bred in the Bone,  Robertson Davies

6 — The Vivisector, Patrick White

7 —  Bedlam,  Jennifer Higgie

8 — The Burnt Orange Heresy, Charles Willeford

9 — Warpaint, Alicia Foster

10  — Headlong,  Michael Frayn

Boas leituras nesse tempo de afastamento social.





Trova da esperança

13 04 2020

 

 

 

pegando carona

 

 

O tempo passa depressa,

corre mais do que as lembranças,

mas sempre traz a promessa:

renovem-se as esperanças!

 

(Olga Regina de Oliveira)





Lista de leituras para conforto nas horas de distanciamento social

13 04 2020

 

 

 

Bratby, John Randall (UK,1928-1992) Jean reading, c.1954, ostJean lendo, c.1954

John Randall Bratby (Grã-Bretanha, 1928-1992)

óleo sobre tela

 

No início de abril, o jornal britânico The Guardian publicou uma lista de leituras para tempos difíceis. Vários autores, escolhidos pelo jornal, sugeriram uma leitura.

Curtis Sittenfeld sugeriu contos de Alice Munro. No Brasil há alguns de seus livros publicados.  Nas livrarias encontramos: As luas de Júpiter, Editora Azul, 2018; Falsos segredos, Editora Azul, 2015m

Sebastian Barry sugeriu o sempre moderno Meditações de Marco Aurélio, nas bancas na edição da Edipro, 2019

Evie Wyld sugeriu qualquer livro de Chuck Palahniuk, ainda que prefira Sobrevivente, que no Brasil está fora de catálogo, só podendo ser encontrado em sebos.

Tayari Jones  lembrou-se de A cor púrpura de Alice Walker que no Brasil está na 10ª edição, publicado pela José Olympio em 2009.

Cólm Tóibín diz que Vitória, de Joseph Conrad, no Brasil publicado em 2010, pela Revan e fora de catálogo, seria a leitura perfeita para os dias de hoje.

Guy Gunaratne considera a leitura de Cem anos de Solidão do autor colombiano Gabriel Garcia Marquez,  no Brasil publicada pelo Record e sempre em catálogo.

Kamila Shamsie se volta para a obra prima de Italo Calvino, As cidades invisíveis publicada pela Cia das Letras e sempre em catálogo.

Mathew Kneale escolheu coleções de contos de Sherlock Holmes, que também encontramos no Brasil em diversas edições.

Todos são excelentes sugestões de leitura para hoje ou sempre.





Domingo, um passeio no campo!

12 04 2020

 

 

 

benedito-jose-de-andrade-comicioO comício

Benedito José de Andrade (Brasil, 1906 – 1979)

óleo sobre tela, 119 x 79 cm





Flores para um sábado perfeito!

11 04 2020

 

 

D. GEMELLI, (Domingos Gemelli), óleo sobre tela, jarro com flores, 70 x 55 cm.Jarro com flores, lavanda e margaridas amarelas

Domingos Gemelli (Brasil, 1903 – 1985)

óleo sobre tela, 70 x 55 cm





Rio de Janeiro, um parque à beira-mar

10 04 2020

 

 

Aldo Bonadei, Dois irmãos e Pedra da Gávea, Óleo sobre tela,1964,60 X 77 cmDois irmãos e Pedra da Gávea, 1964

Aldo Bonadei (Brasil, 1906 – 1974)

óleo sobre tela, 60 X 77 cm





Resenha: “Os segredos que guardamos” de Lara Prescott

10 04 2020

 

 

(jack_vettriano_night_moves)Armadilha noturna

Jack Vettriano (Escócia, 1951)

óleo sobre tela, 40 x 30 cm

 

 

Cheguei a me surpreender avaliando em quatro estrelas este livro.  É nota alta.  Apesar de uma dezena de problemas Os segredos que guardamos de Lara Prescott, traduzido por Alessandra Esteche, tem pontos de interesse que pesam a favor no balanço final.  Seguimos duas mulheres: Irina Drozdov, jovem americana, filha de imigrantes russos que inicia a vida profissional, nos anos 50 do século passado, como datilógrafa na CIA e acaba tornando-se agente secreta; e Olga Vsevolodovna  Invinskaya, dedicada amante do escritor russo Boris Pasternak, que serviu de musa para Lara, personagem principal do livro Doutor Jivago ao longo dos treze anos em que foram amigos e amantes.

Fluente em russo, Irina chama atenção de seus superiores que a escolhem para trabalhar como agente secreta.  Ela é treinada e eventualmente participa de uma operação secreta americana que leva ao publico russo a obra de Pasternak que havia sido proibida pelo governo da União Soviética de ser publicada, pois oferecia ao leitor críticas ao sistema imposto na Rússia sob domínio comunista.

Seguimos a vida de Olga Invinskaya do momento em que vai para prisão por se associar a Pasternak e não ceder ao inquérito governamental sobre o conteúdo do romance que seu amante escrevia.  Trabalhos forçados em Gulag por ser presa política dão fim a três anos de sua vida. Na volta para casa, Olga retoma o caso de amor com Boris.

 

OS_SEGREDOS_QUE_GUARDAMOS_ FABIANA

 

Lara Prescott nos dá uma breve biografia do escritor Boris Pasternak  e mostra a importância que essa obra, que eu só conheço pelo cinema, teve para o próprio autor.  Acompanhar o caso amoroso que mantém com Olga nem sempre conta a favor de Pasternak, e me lembrou que devemos simplesmente julgar a obra e nunca seu autor.  Falta a ele comprometimento para com a mulher amada,  mesmo tendo sido Olga a grande paixão de sua vida. Mas, por outro lado, escreveu o livro que o levou ao Prêmio Nobel em 1958, e ao aplauso internacional, mesmo obrigado pelo regime comunista a recusar o prêmio.

Além desses temas há a narrativa de espionagem internacional feita por mulheres,  tema que aparece mais assíduo na literatura contemporânea de entretenimento, principalmente depois do best-seller O tempo entre costuras, de Maria Dueñas, que abriu o caminho para outros sucessos.  Mantendo-se no campo das novidades: esta é ficção que aborda, levemente, a discriminação contra o homossexualismo na CIA assim como possivelmente nos outros conhecidos serviços de espionagem. como o britânico MI6.  Este é o segundo romance que leio este ano que aborda o tema do amor lésbico. Interessante reviravolta na produção literária de vasto consumo.

 

lara-prescott_credit_trevor-paul_1500x2250_1579818005497Lara Prescott

 

Tive dificuldade de seguir as vozes narrativas de cada capítulo narrado na primeira voz.  Nem sempre fica claro na primeira metade do livro cuja vida estamos seguindo.  Maior número de situações de espionagem poderia aumentar o interesse na narrativa que se apega demais à biografia de Pasternak.

A leitura é rápida. Pequenos capítulos. Biografia, ação,  romance. Surpresas. Poderia ir mais a fundo. Faltou suspense, o tema pedia.  Acaba abruptamente como se o  interesse da autora fosse cobrir uma única ação de subversão do comunismo através da cultura, como planejara a CIA.  Outras ações mencionadas não dão sustância ao tema de espionagem. Como romance histórico deixa a desejar. Finais fechados.  Livro pronto para a grande audiência de entretenimento com um aceno aos temas da atualidade.

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.