
Dálias no vaso azul, 2012
Raquel Taraborelli (Brasil, 1957)
óleo sobre tela, 100 x 100 cm

Dálias no vaso azul, 2012
Raquel Taraborelli (Brasil, 1957)
óleo sobre tela, 100 x 100 cm
Rio de Janeiro, 2016
Claudio Faciolli (Brasil, 1955 )
acrílica sobre tela, 90 x 80 cm
Lendo Pushkin
Elmira Petrova (Azerbaijão, 1975)
óleo sobre tela
Natureza Morta: laranjas
Adolfo Fonzari (Itália – Brasil, 1880 – 1959)
óleo sobre tela
Museu Aldo Locatelli Rubem Berta, Porto Alegre
Ilustração Jimmy Liao.
Trem-de-ferro, o teu apito
lembra-me um sino plangente:
tanta mágoa no teu grito,
tanta saudade na gente!
(Dorothy Jansson Moretti)
Av. Afonso Pena esquina Tamoios, BH, 2013
Mauro Ferreira (Brasil, 1958)
óleo sobre madeira, 40 x 60 cm

Passeia a sombra
No abismo do chão
Sem deixar rastro.
[43]
Barulho do céu
Sobre o luar da montanha.
Cochicha o silêncio.
[61]
Invade o meu leito
A brisa da Primavera
Sem me conhecer.
[22]
As flores preferem
A pura água da chuva.
Guardo o regador.
[61]
Veio da montanha
O ruído do silêncio
Acordar o nada
[52]
Em: O olhar de Buda: haicais, Sonia Carneiro Leão, 2018, páginas em [colchetes].
Livros à janela, 1963
Eugenia Antipova ( Russia, 1917 – 2009 )
óleo sobre tela, 134 x 120 cm
Tive a sorte de ser aluna de professores dedicados. Como meus pais, ambos professores, me alfabetizaram em casa, fui pela primeira vez à escola já no segundo ano. Lá, na Escola México, escola municipal do Rio de Janeiro, tive a mão firme de D. Yolanda, do segundo ao quarto ano do ensino fundamental, naquela época chamado primário. O trabalho de D. Yolanda era dividido com duas outras professoras: a de canto, às terças-feiras depois do recreio e a da leitura, sextas-feiras, de manhã até a hora do recreio. Era professora responsável pela biblioteca da escola. Esta foi a primeira biblioteca que frequentei e ela fez um bom trabalho, porque foi a primeira de muitas bibliotecas que serviram de abrigo às minhas aventuras na leitura.
No Colégio Pedro II do Humaitá D. Maria Teresa com quem estudei português por 3 anos consecutivos, marcou uma fase da minha vida. Ela me incentivava a escrever. Gostava das minhas redações. Para impressioná-la, para que gostasse cada vez mais do que eu escrevia, frequentei assiduamente a biblioteca do colégio. Sempre trabalhei mais com incentivo do que com crítica. Mais tarde, no Colégio Pedro II, sede, na Marechal Floriano, fui aluna do Professor Maximiano. Ele foi um marco no meu aprendizado, por ser um ponto fora da curva. Português de nascença, com direito a sotaque, Prof. Maximiano rejeitava qualquer palavra importada de outro idioma. Um exemplo, coquetel (cocktail) precisava ser rabo de galo. Era um exagerado, mas, talvez por causa disso mesmo, aprendi com ele muito sobre a formação da língua portuguesa, sobre nossa herança verbal. E a ter orgulho de usar uma língua tão rica.
Neste mesmo período fui aluna de dois excelentes professores de francês na Aliança Francesa Prof. Marcel, na Aliança do Largo do Machado, jovem, que nós meninas de 11-14 anos achávamos lindo. Estudar para ganhar sua atenção foi fácil. É dessa época meu prêmio de melhor redação em francês. O tema havia sido “Se eu fosse…” e meu prêmio de melhor redação examinava como seria a vida como um cavalo selvagem. Mais tarde, Monsieur Cox, na Aliança de Copacabana foi quem me apresentou ao teatro francês.
Já na faculdade, cursando letras francês-português, na Universidade Federal Fluminense, fui aluna em literatura francesa de uma professora que sozinha mudou o rumo da minha vida. Estudávamos Balzac, Père Goriot era a obra na berlinda, e para melhor nos situar na França do século XIX, fomos apresentados à arte francesa de então. Foi aí, que eu soube da existência da história da arte. Em dois anos eu tinha largado o curso de francês, feito novo vestibular e ingressado no curso de História da Arte.
Foram muitos os professores que me guiaram. Tive sorte mas também trabalhei para que eles me notassem, que me distinguissem no mar de alunos que ensinavam. Não fui aluna brilhante, mas aluna dedicada, boa na redação e com muita, mas muita imaginação, além da leitura, é claro, que sempre me acompanhou desde muito pequena. Tive boas escolas. Para entrar no Colégio Pedro II havia, naquela época, prova de admissão. No meu ano foram 10.000 alunos candidatando-se a 1.000 vagas. Difícil de entrar. Não cheguei a ser uma aluna brilhante, mas numa boa escola, até mesmo o aluno razoável, habitual, modesto está acima da média.
Dentre professores que mais me marcaram estão sem dúvida minhas duas tias, Yedda e Neyde, que, professoras de português também, não se cansaram nunca de dar aulas de redação à gramática sintática, durante todos os anos da infância ao final da adolescência. Mas esta história ficará para outra vez. No entanto, tenho certeza de que sem elas, cada qual com seu método e especialidade eu não teria me saído tão bem.
Um obrigada, a todos que contribuíram para a minha formação.
Operários trabalhando
Elaine Davis (EUA, contemporânea)
“São necessários muitos pedreiros para construir a catedral da justiça, alguns fabricam paralelepípedos; outros, pedestais e frisos; outros ainda, ornamentos e estátuas. Uma coisa é tão importante quanto a outra para o projeto; acusar e defender são tão importantes quanto julgar; redigir contratos de aluguel, de trabalho e pactos antenupciais é tão importante quanto configurar fusões e aquisições; os advogados dos ricos são tão importantes quanto os dos pobres.”
Em: A mulher na escada, Bernhard Schlink, tradução de Lya Luft, Rio de Janeiro, Record: 2018, p. 101.
Carreador
Alfredo Volpi (Itália/Brasil, 1896 – 1988)
Pintura em azulejo, 15 x 15 cm