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Leitora, 1913
Giuseppe Mascarini (Itália, 1877-1954)
óleo sobre tela
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O mesmo
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Fagundes Varela
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Desde a quadra mais antiga
De que rezam pergaminhos,
Cantam a mesma cantiga
Na floresta os passarinhos.
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Têm o mesmo aroma as flores,
Mesma verdura as campinas,
A brisa os mesmos rumores,
Mesma leveza as neblinas.
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Tem o sol as mesmas luzes,
Tem o mar as mesmas vagas,
O deserto as mesmas urzes,
A mesma dureza as fragas.
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Os mesmos tolos o mundo,
A mulher o mesmo riso,
O sepulcro o mesmo fundo,
Os homens o mesmo siso.
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E neste insípido giro,
Neste voo sempre a esmo,
Vale a pena, em seu retiro,
Cantar o poeta, mesmo?
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Em:Poesias Completas de Fagundes Varela, Rio de Janeiro, Ediouro:1965. Este poema foi originalmente publicado em Cantos do Ermo e da Cidade, 1869.
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Luís Nicolau Fagundes Varella, (RJ 1841 – RJ 1871) ou Fagundes Varela, poeta brasileiro e um dos patronos na Academia Brasileira de Letras.
Obras:
- Noturnas – 1861
- Vozes da América – 1864
- Pendão Auri-verde – poemas patrióticos, acerca da Questão Christie.
- Cantos e Fantasias – 1865
- Cantos Meridionais – 1869
- Cantos do Ermo e da Cidade – 1869
- Anchieta ou O Evangelho nas Selvas – 1875 (publicação póstuma)
- Diário de Lázaro – 1880







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