junho 9, 2023 10:40 pm
Mensageiro do amor, 1885
Marie Spartali Stillman (Inglaterra, 1844 -1923)
aquarela, têmpera, folha ouro sobre papel colado em madeira, 81 x 66 cm
Museu de Arte de Delaware
Ivan Junqueira (1934-2014)
Pois morrer é apenas isto:
cerrar os olhos vazios
e esquecer o que foi visto;
é não supor-se infinito,
mas antes fáustico e ambíguo
jogral entre a história e o mito;
é despedir-se em surdina,
sem epitáfio melífluo
ou testamento sovina;
é talvez como despir
o que em vida não vestia
e agora é inútil vestir;
é nada deixar aqui:
memória, pecúlio, estirpe,
sequer um traço de si;
é findar-se como um círio
em cuja luz tudo expira
sem êxtase nem martírio.
Em: O tempo além do tempo: antologia, Ivan Junqueira, organização e prefácio, Arnaldo Saraiva, Vila Nova de Famalicão, editora Quasi:2007, p.71
Publicado por: peregrinacultural
Categorias: Artes Plásticas, literatura, Literatura Brasileira, Pintura, Poesia
Tags: Artes Plásticas, Artes Visuais, Belas Artes, Ivan Junqueira, Marie Spartali Stillman, Poesia Brasileira, Pré-Rafaelita, Rimas, versos
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